Papa condena aborto e apela à reconciliação no fim do ano do Jubileu

Setenta mil peregrinos ouviram o Papa na Praça de São Pedro. Em entrevista, Francisco chamou "crime horrendo" ao aborto

O Papa encerrou ontem o Ano Santo extraordinário, o Jubileu da Misericórdia, com uma cerimónia religiosa no Vaticano, durante a qual foi de novo fechada a Porta Santa da Basílica de São Pedro. Um dia que ficou marcado também pelas palavras de Francisco a condenar o aborto como um "crime horrendo", em jeito de resposta aos quatro cardeais conservadores que na quarta-feira o acusaram de lançar a confusão em relação a importantes questões morais sobre a família.

Ao longo destes quase 12 meses que durou o Jubileu, com o qual Francisco quis inspirar o mundo ao amor e ao perdão, cerca de 20 milhões de pessoas passaram pela Porta Santa da Basílica de São Pedro, em busca da bênção especial que isso significa na fé católica. Muitos outros milhões passaram também nas portas santas das pequenas e grandes igrejas, catedrais e basílicas do mundo inteiro, todos em busca da mesma experiência de paz, e Francisco não se esqueceu de os nomear na sua homilia.

Falando perante mais de 70 mil peregrinos na Praça de São Pedro, o Papa lembrou todos esses cristãos "anónimos" e voltou a apelar à esperança, à reconciliação e ao perdão, os temas a que dedicou este Jubileu extraordinário.

Os Anos Santos da Igreja Católica realizam-se a cada 25 anos e o próximo só deveria ser em 2025, mas Francisco decidiu antecipar a sua realização, para tornar mais presentes as mensagens de reconciliação, num mundo onde os conflitos, a pobreza e o sofrimento humano têm alastrado, e numa Igreja abalada por tensões internas, algumas causadas por escândalos como o da pedofilia.

"Embora se feche a Porta Santa, continua sempre escancarada para nós a verdadeira porta da misericórdia que é o Coração de Cristo", disse Francisco. E exortou "Vamos pedir a graça de que nunca se fechem as portas do perdão e da reconciliação", e do "conhecimento sobre como podemos ultrapassar as diferenças" e "dos caminhos da esperança".

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