Os pequenos embaixadores da roda dos alimentos

Minuto Azul, iniciativa de combate à obesidade fechou com debate. Da universidade ao poder político, defende-se uma luta transversal na sociedade

O combate à obesidade infantil tem uma nova arma: mais de 3400 crianças capacitadas como embaixadoras. A saúde pública conta com elas para mudar os hábitos alimentares, os seus, os dos pais e os dos professores. O programa Minuto Azul - Contar Saúde com Ciência e Afetos, promovido pela Faculdade de Medicina de Lisboa e com o apoio da TSF e da Câmara Municipal de Viseu, terminou ontem com um debate em Lisboa. "É crucial prevenir", defende Helena Fonseca, responsável pela consulta de obesidade pediátrica no Centro Hospitalar Lisboa Norte, usando duas imagens para o explicar: "Se entrarem na sala de espera das minhas consultas, onde as crianças vão com os pais, vão pensar que a consulta de obesidade é para adultos." A outra imagem é a "da falta de autoestima, o de pensarem que são bons alunos, o de serem vistos como o patinho feio da turma, o de ser a criança menos popular entre os amigos".

"Este plano vai diminuir os casos de obesidade infantil e de futuro excesso de peso", afirma Isabel Santiago, investigadora da Faculdade de Medicina. Para isso, durante três meses, foram percorridas as escolas básicas do concelho de Viseu para ensinar aos miúdos 13 regras básicas da alimentação e da roda dos alimentos, mas também da atividade física. O Minuto Azul atingiu 3405 crianças e famílias e 225 professores de cinco agrupamentos de Viseu. A investigadora Isabel Santiago acredita que estas aulas "contribuíram para uma melhoria geral da alimentação de todos". Por isso, está já em preparação uma nova fase que vai trazer o programa a Lisboa. Depois do centro, esta é a região com maiores índices de obesidade infantil. Agora, sabem de cor que devem beber oito copos de água por dia, comer mais fruta e verduras; e porcarias, como dizem, só em festa.

A totalidade dos presentes no debate de encerramento, da universidade ao poder político e local, defende uma luta transversal na sociedade. Este projeto de comunicação em saúde pública mostrou uma união de esforços pouco habitual: Presidência da República, Faculdade de Medicina de Lisboa, Câmara de Viseu, Ministério da Saúde, SNS e a TSF.

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