Os cinco minutos a mais que podem estragar o seu dia

A especialista Teresa Paiva deixa algumas dicas para dormir melhor à noite e acordar sem sentir falta dos 5 ou 10 minutos que "rouba" ao despertador

Há quem diga que há dois tipos de pessoas no mundo: as que acordam logo quando ouvem o despertador e as que precisam sempre de mais cinco minutos. Mas um deles acaba por sair mais prejudicado. Sabe qual?

Segundo alguns estudos, carregar no botão snooze do despertador, atrasando o alarme cinco ou dez minutos, pode ter efeitos negativos, pois cria a "inércia do sono". Este fenómeno é, no fundo, o estado de sonolência e desorientação que acontece quando acordamos de forma abrupta de um sono profundo.

"Quando estamos bem o normal é acordarmos espontaneamente", explica ao DN Teresa Paiva, do Centro de Electroencefalografia e Neurofisiologia Clínica. A especialista do sono desaconselha o uso do despertador e mais ainda o da opção snooze. "Mais 20 minutos de sono são fantásticos, e deve-se dormir o máximo possível, mas quando é para acordar é para acordar mesmo. Se não acorda é porque não dorme o suficiente ou tem algum problema de sono", explicou a especialista.

Mais 20 minutos de sono são fantásticos, e deve-se dormir o máximo possível, mas quando é para acordar é para acordar mesmo

Segundo o vice-presidente da Sociedade Espanhola do Sono, José Ortega, "quando dormimos o normal é que completemos entre quatro a seis ciclos por noite". Na hora de acordar, em princípio, o corpo humano está no último ciclo REM e numa fase de sono "mais superficial". "O nosso organismo prepara-se para acordar duas horas antes da hora", explicou o investigador ao jornal El País.

Quando dormimos, o organismo baixa a temperatura corporal e vai reduzindo a melatonina e aumentando o cortisol, duas hormonas fundamentais na regulação do sono, como explicou José Ortega. Atrasar o alarme pode ser prejudicial para a saúde pois altera o relógio biológico.

Robert S. Rosenberg, diretor médico do Centro de Transtornos do Sono do Arizona, Estados Unidos, explica o que acontece. "Por um lado, está a fragmentar-se o sono adicional, que acaba por ser de pouca qualidade", diz o diretor na página da internet do centro, "por outro, incita-se o corpo a começar um novo ciclo de sono sem tempo suficiente para o completar".

O resultado pode ser sonolência ao longo do dia e "lentidão cognitiva e motora", segundo Teresa Paiva. A especialista garante que os efeitos da inércia do sono são variáveis, mas que quem sofre de privação de sono sente as maiores consequências.

Tanto a capacidade de tomar decisões como a memória e o rendimento são afetados quando "pedimos" para ficar mais tempo na cama. Segundo Rosenberg, nem um café e um banho frio conseguem resolver este problema.

"Em vez de preparar o corpo para despertar, vamos na direção contrária", explicam os biólogos Mitchell Moffit e Gregory Brown. "O resultado é que o segundo alarme pode fazê-lo sentir mais cansado". No vídeo sobre o tema para o canal no Youtube AsapSCIENCE, a dupla explica com desenhos como interromper ciclos de sono tem o efeito exatamente o efeito contrário ao desejado quando carregamos no snooze. "Programe o despertador para mais tarde ou vá para a cama mais cedo", aconselham.

Teresa Paiva deixa algumas dicas para dormir melhor à noite e acordar sem sentir falta daqueles 5 ou 10 minutos extra. O mais importante é "dormir tudo o que precisa de dormir". A especialista compara o corpo humano ao planeta Terra e afirma que "quando há exaustão dos recursos há problemas graves". Dormir ajudar a repor os recursos necessários para fazer tudo o resto.

Evitar "tarefas heróicas" à noite e de manhã também é importante. Atividades que puxem demasiado pelo corpo ou pela mente nestes períodos são contra indicadas. E, por último, "respeitar o corpo". Isto inclui não ignorar os sinais de cansaço ou de problemas de sono.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG