"O meu contributo foi continuar o trabalho dos outros"

Daniel Traça é o atual diretor da NOVA SBE e foi com ele que a faculdade se mudou para o campus de Carcavelos. Em entrevista ao DN, fala do seu contributo para a instituição e dos planos futuros.

O que levou a Nova a construir o campus da SBE em Carcavelos?
Na matriz inspiradora deste projeto esteve uma geração de professores que, três décadas antes, deu origem à NOVA SBE. A criação de uma escola de referência gerida segundo os cânones das melhores escolas do munda na altura. Essa ambição esteve e estará sempre connosco. Mas o mundo mudou em 30 anos. Uma escola de referência passou a ter de ser inovadora, internacional, impactante. O desafio era então como continuar a ser fiel à ambição, no contexto da economia e da realidade nacional. A fórmula mágica foi potenciar excelência académica da NOVA SBE com a atratividade do lifestyle português, da hospitalidade, clima e cultura, para criar uma escola com ambição e reconhecimento internacional, capaz de atrair os melhores alunos e professores do mundo para aprender, ensinar e investigar, e de colaborar com as maiores e melhores empresas da Europa. Carcavelos era um dos melhores sítios do país, mas tínhamos consciência que o impacto seria nacional.

Como é que a Nova SBE está a ser revolucionária em Portugal? Há a questão das parcerias com empresas, por exemplo.
A proximidade das empresas é uma dimensão importante. Só com um fortíssimo envolvimento das empresas e dos seus líderes foi possível concretizar este sonho, que, passados três anos, não só é uma realidade como está a cumprir o propósito de atrair talento e de difundir conhecimento. A partir da campanha de fundraising passámos a compreender melhor as suas necessidades e de que forma podíamos acrescentar valor. Dinamizámos a nossa formação de executivos que hoje inclui uma área dedicada a apoiar a inovação nas empresas. Vamos lançar um ecossistema de inovação com empresas a trabalharem com os alunos: o Carcavelos Innovation Ecosystem. Mas a nossa relação com o terceiro setor é igualmente relevante. Estamos a preparar talento para o setor e a desenvolver o talento que já lá está, em parceria com fundações e empresas. E este ano lançámos um mestrado em Desenvolvimento Internacional e Políticas Públicas pois consideramos que o conhecimento de gestão e economia em conjunto podem ajudar a melhorar eficácia da gestão pública. Mas diria que a revolução maior é mostrar que é possível. Que se pode ter, mesmo como parte de uma universidade pública, uma ambição para chegar ao topo da Europa. E que o segredo é apenas ambição, criatividade e trabalho.

Que mudanças implementou na NOVA SBE durante os seus mandatos? Qual acha que tem sido o seu contributo para o reconhecimento da NOVA SBE?
Ao longo deste três anos, a preocupação foi em cumprir com o compromisso que a escola assumiu com a sociedade portuguesa durante a campanha de fundraising. Prometemos crescer, internacionalizar, aumentar o reconhecimento, salvaguardando a excelência académica e o rigor. Estou convencido que, três anos passados, entregámos ao que nos apoiaram o compromisso assumido, nomeadamente pelo progresso já referido nestas dimensões. De notar que este foi um compromisso conjunto com os nossos parceiros em prol do país e do futuro das gerações mais novas. Um futuro que se quer de ambição internacional, de excelência e de impacto que possa transformar Portugal e fazer sair do imobilismo em que parecemos estar presos. Esta irreverência é a matriz da escola desde que nasceu. Desse ponto de vista mudou pouco, e o meu contributo foi continuar o trabalho que outros iniciaram há mais de três décadas e que me serve pessoalmente de inspiração há mais de 30 anos.

O Daniel foi aluno da então Faculdade de Economia da Nova e agora é diretor da NOVA SBE, o primeiro aluno desta faculdade a chegar a diretor. Quais são as grandes diferenças entre o seu tempo de aluno e agora diretor? Qual é a sensação de ser o primeiro?
O mundo não é o mesmo. O país não é o mesmo. A escola não é a mesma. Tudo o que vivemos é mudança, e em aceleração. Mas o propósito é o mesmo: fazer o mais que podemos com olhos postos no impacto que criamos para a sociedade em que estamos, para o país e para a juventude portuguesa e europeia. Por isso mesmo, muito do que sempre fizemos na NOVA SBE é falar do propósito de cada um e de inspirar a vivê-lo em cada dia. Esse, aliás, devia ser o primeiro papel da qualquer universidade. Por isso, não tenho nenhuma sensação de ser o primeiro. Tenho orgulho de ter podido contribuir. E tenho uma enorme preocupação em assegurar que não sou o último, e que o futuro da escola continuará com o mesmo vigor por muitas décadas. Se olhar para o talento que vive na NOVA SBE hoje tenho muito pouca preocupação, de facto.

Tem ideia do impacto que a instalação da NOVA SBE em Carcavelos teve na economia local? Podemos falar de uma zona antes da NOVA SBE e depois da NOVA SBE?
O impacto é absolutamente marcante, apesar de em três anos, dezoito meses terem sido de pandemia. Carcavelos passou a contar com uma comunidade de milhares de alunos, uma boa parte internacionais, que diariamente frequentam o campus e a sua envolvente, tendo naturalmente reflexos positivos para uma localização tipicamente de "dormitório". Acrescem ainda as centenas de colaboradores da instituição, bem como as centenas de eventos que são acolhidos anualmente no nosso campus. Carcavelos passou a ser um destino de grandes conferências e reforçou o concelho de Cascais com uma nova centralidade a juntar ao Estoril e à vila de Cascais. Esses efeitos naturalmente se estendem à Área Metropolitana de Lisboa.

O que se pode esperar da NOVA SBE a partir de agora?
Tudo! A nossa missão nunca está terminada, porque sentimos que o país e a Europa precisam de nós. Da nossa capacidade para inspirar e desenvolver os mais talentosos da Europa, numa comunidade verdadeiramente pan-europeia, fiel àquilo que a Europa sonhou. E a liderar nos novos desafios que se põem a todos: a sustentabilidade acima de tudo, mas também a renovação do capitalismo, a coesão social, a transformação pela tecnologia, o digital e os dados, e tantos outros. Vamos continuar a apoiar ainda mais a transformação das empresas e das instituições - e com ela a vida das pessoas - rumo ao futuro. Temos um vasto conjunto de projetos em desenvolvimento, de que destacaria o lançamento do ecossistema de inovação ainda este ano, o Nova SBE Westmont Institute of Tourism and Hospitality inaugurado na passada segunda-feira, o Haddad Entrepreneurship Institute, o Social Design Lab, o Data Lab, entre muitos outros projetos ambiciosos e que contribuirão para um reforço da sustentabilidade económica, social e ambiental de Portugal.

ana.meireles@dn.pt

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