Neto de Freud pode ser suspeito no caso Maddie

Clement Freud morreu em 2009 e tinha uma casa na Praia da Luz. Foi exposto como pedófilo num documentário da televisão britânica

Foi há dois anos, depois de ler Madeleine, o livro escrito por Kate McCann - a mãe de Maddie - que a britânica Vicky Hayes, hoje com 64 anos, contactou pela primeira vez as autoridades. Hayes dirigiu-se à polícia de Suffolk, a região onde vive no Reino Unido, para alertar que o homem que convidara o casal McCann para sua casa na Praia da Luz, depois do desaparecimento de Maddie, em 2007, era pedófilo. O filho de Hayes escreveu depois uma carta à Metropolitan Police, da área de Londres, mas não obteve qualquer resposta, tal como a mãe, que nunca recebeu feedback do aviso que fez às autoridades.

Este alerta foi conhecido só agora, em 2016, altura em que emergem detalhes sobre a vida de Sir Clement Freud, neto do célebre psicanalista Sigmund Freud e irmão do artista Lucian Freud. Clement Freud, que morreu em 2009, é acusado de ter abusado sexualmente de crianças e adolescentes entre as décadas de 1940 e 1970 e tinha uma moradia no Algarve, na zona de onde Maddie terá sido levada. Personalidade política, Freud era deputado pelos liberais e tornou-se conhecido do grande público pelas aparições na televisão britânica, como chef, ou na rádio, como comunicador.

Segundo o jornal The Telegraph, no ano a seguir à morte do político, em 2010, Vicky Hayes já teria dito à polícia que Freud a tinha violado aos 17 anos. O nome do neto de Freud surgira já em 2012 no âmbito da operação Yewtree, da Metropolitan Police, que revelou como pedófilo Jimmy Savile, rosto da BBC.
No entanto, as acusações a Clement Freud foram tornadas públicas só esta semana, num documentário da estação ITV - o mesmo espaço que ajudou a revelar o passado de abusador de Savile, falecido em 2011. Em Exposure: Abused and Betrayed - A Life Sentence - transmitido terça-feira, dia 15, no Reino Unido, duas mulheres - uma delas preferiu permanecer anónima - garantiram que foram vítimas de Clement Freud, que terá começado a abusar sexualmente de ambas quanto tinham apenas 11 anos.

Vicky Hayes, que ligou Freud ao desaparecimento de Maddie, tornou públicos os abusos que sofreu depois da emissão do programa, contactando a ITV, e falou sobre as suspeitas em relação ao desaparecimento da criança britânica em Portugal: Freud tinha uma casa na Praia da Luz na altura em que Maddie deixou de ser vista. "Li o livro da Kate McCann e fiquei imediatamente perturbada e ansiosa por saber que Clement Freud convidou os McCann para sua casa", admitiu. "Ele era uma pessoa muito reservada, não do tipo de subitamente tornar-se amigo de um casal que estava a atrair tanta atenção mediática", disse Hayes, acrescentando: "Ninguém pensava que Freud seria capaz de abuso sexual e violação mas ele fez-mo. Ele era capaz de tudo".

No livro que escreveu sobre o rapto da filha, Kate McCann conta que Freud contactou a família dois meses depois de Maddie ter desaparecido, convidando-os para um jantar na moradia de que era proprietário, a cerca de 500 metros do Ocean Club, onde os McCann tinham ficado hospedados na Praia da Luz, no Algarve. "Estou muito zangada pelo facto de a polícia ter ignorado as minhas informações", disse Vicky Hayes, a alegada vítima do político. Freud terá repetido o convite aos McCann semanas depois, tendo Kate escrito que o deputado britânico fora um ombro amigo quando o casal soube que estava sob suspeita das autoridades portuguesas pelo rapto da própria filha.

Citado pela imprensa britânica, um porta-voz da Metropolitan Police disse em comunicado: "no seguimento da emissão do documentário, as autoridades irão avaliar as alegações para assegurar a salvaguarda de quem possa estar em risco e igualmente considerar se é necessária investigação criminal para trazer à justiça qualquer pessoa viva".

A vivenda de Freud em Portugal foi vendida após a morte do britânico, em 2009, mas a família garante que ele não estava na Praia da Luz em maio de 2007, quando Maddie desapareceu.

Entretanto, novas denúncias têm vindo a público sobre o comportamento abusivo de Freud. Ao The Independent, Craig Murray, antigo embaixador britânico no Uzbequistão, admitiu que tem sido contactado por várias pessoas que sabiam do comportamento do político, que conhecerão vítimas dos abusos sexuais perpetrados por ele e que os crimes se terão prolongado ao longo de quatro décadas.

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