Nadadores-salvadores. Podem ficar vagas por preencher

O perfil de nadador-salvador é o de alguém que ainda é estudante, pelo que não tem disponibilidade no arranque da época balnear

A época balnear de 2017 conta com um número "elevado" de nadadores-salvadores formados, mas há vagas que podem ficar por preencher, disse o presidente da Federação Nacional de Nadadores-salvadores, Alexandre Tadeia.

O dirigente federativo falou com a agência Lusa e justificou a sua posição com o facto de o perfil do nadador-salvador em Portugal estar muito associado ao estudante, o que retira disponibilidade para que os concessionários consigam contratar os elementos necessários nas primeiras seis semanas de atividade, entre junho e meados de julho.

"A época balnear teve uma boa preparação em termos de formação de recursos humanos, agora aguardamos com expectativa a disponibilidade destes nadadores-salvadores para trabalhar", afirmou Alexandre Tadeia.

O representante qualificou como "natural que, sendo a maioria dos nadadores-salvadores estudantes e neste momento ainda tendo exames nas faculdades e nas escolas, a sua disponibilidade nos primeiros meses, designadamente em junho e no arranque do mês de julho, seja diminuída".

Alexandre Tadeia frisou que esta é uma situação idêntica à verificada noutros anos e não se resolve com maior número nadadores-salvadores formados.

"É natural de que, a exemplo do que tem acontecido nos anos anteriores, ainda tenhamos no arranque do ano alguma escassez de nadadores-salvadores. É o normal, tem ocorrido todos os anos e não é por formarmos mais nadadores-salvadores que isto vai deixar de existir, porque o nosso perfil de nadador-salvador é o de alguém que ainda é estudante", sustentou.

A época balnear decorre entre 01 de maio e 15 de outubro, competindo às câmaras municipais defini-la em cada praia do seu concelho. Das 650 áreas balneares, 175 começam a temporada na quinta-feira, 01 de junho, e outras 246 abrem no dia 15.

Alexandre Tadeia disse ser necessário agora esperar pela abertura efetiva da época balnear na generalidade das praias para perceber se todas as vagas estão preenchidas, mas destacou a existência de um quadro legal que obriga também a que as piscinas de uso público tenham dispositivos de segurança, equipamentos e nadadores-salvadores.

"Neste momento estamos num processo evolutivo em Portugal de todas as piscinas de uso público estarem em processo de ter o seu dispositivo de segurança. Consideramos que a nível das piscinas estamos a melhorar, embora muitas ainda estejam a desenvolver este processo, que já devia estar terminado, mas que irá, quando estiver concluído, melhorar a segurança de todos os portugueses nas piscinas", elogiou.

Apesar de considerar que nas praias fluviais e marítimas "o sistema já funciona", o presidente da federação defendeu que a contratação do nadador-salvador "deveria deixar de ser pelo concessionário e deveria passar para um outro sistema que permitisse que os nadadores-salvadores também pudessem e conseguissem vigiar não só as praias concessionadas, mas também as não concessionadas e que têm frequência de banhos".

"Embora essa competência esteja atribuída às autarquias, são poucas as praias não concessionadas em que as autarquias assumem a vigilância e assistência a banhistas", acrescentou.

A mesma fonte defendeu também a necessidade de se apostar cada vez mais em programas de prevenção do afogamento, porque se estão a registar "inúmeros afogamentos que não são em praias ou em piscinas" e "85% dos casos ser evitados com mais cultura aquática".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG