“Mulher doente, mulher para sempre?”

A maioria dos portugueses diz não gozar de boa saúde, apesar da esperança de vida à nascença se situar agora nos 81,3 anos

Portugal é um dos países da União Europeia que mais aumentou a esperança de vida, no entanto é o que mais se queixa da sua saúde. Há melhorias mas aumentou o número de mortes por diabetes.

Estas são algumas das conclusões sobre os perfis da saúde nos 28 Estados membros, realizados pela pela primeira vez e apresentados esta quinta-feira em Bruxelas. E que parecem dar razão ao ditado popular: “Mulher doente, mulher para sempre”. É dedicado ao sexo feminino, que tem uma esperança de vida maior, embora o mesmo se possa aplicar aos homens.

A maioria dos portugueses diz não gozar de boa saúde, apesar da esperança de vida à nascença se situar agora nos 81,3 anos, mais 4,5 anos que em 2000 e que é superior à média europeia (80,6).

A percentagem de pessoas que dizem estar de “muito boa ou boa saúde” (46,4 %) fica abaixo da média da UE (66,9 %). Uma perceção que é diferente consoante a condição socioeconómica, o que também acontece com os nossos parceiros europeus. Seis em cada dez portugueses (59,4%) com rendimentos mais elevados sentem-se bem ou muito bem, existindo praticamente uma inversão quando se questionam os menos abonados, já que apenas 37,4% não têm queixas.

Diferenças geográficas no acesso à saúde

Diferenças há também no acesso aos cuidados de saúde e, neste campo, são maioritariamente geográficas, agravadas pela falta de recursos económicos. “Muitas das pessoas que vivem nas zonas rurais estão em risco de pobreza e defrontam-se com obstáculos (em especial a distância) que dificultam o acesso a serviços de saúde de qualidade”, sublinham o relatório.

As doenças cardiovasculares e certos tipos de cancro continuam a matar mais em Portugal do nos outros Estados-Membros, mas têm vindo a diminuir. No entanto, surgiram “algumas tendências desfavoráveis, tais como o aumento do número de mortes por diabetes”. E que têm sobretudo a ver com hábitos alimentares e comportamentais.

Conclusões registadas pelos peritos – com a colaboração das entidades nacionais e a Rede de Monitorização dos Sistemas de Políticas de Saúde - que durante dois anos avaliaram os 28 Estados-Membros. Os relatórios serão apresentados às 12:30 (11:30 em Portugal) no parlamento europeu, em Bruxelas: Estado da Saúde na UE e Perfil do País 2017.

Este é o primeiro de uma série de perfis e que terá relatórios bianuais de acompanhamento. “Alinha-se com o nosso objetivo de concentrar esforços na promoção de bons cuidados de saúde e prevenção de doenças crónicas evitáveis”, com uma meta mais ampla de garantir “a eficácia, acessibilidade e resiliência de todos os sistemas de saúde na UE”, sem “apontar o dedo antes dando a mão”, refere na nota de apresentação Vytenis Andriukaitis, o Comissário Europeu para a Saúde e Segurança Alimentar.

São vinte e oito perfis comunitários, fruto do trabalho da OCDE e do European Observatory on Health Systems and Policies em cooperação com a Comissão e o financiamento da UE. Pretendem ser uma base de trabalho para que os governos promovam políticas de saúde apoiadas em "dados concretos".

Cada perfil apresenta uma breve síntese dos seguintes aspetos: estado da saúde no país, fatores de risco comportamentais, organização do sistema de saúde, efetividade, acessibilidade e resiliência do sistema de saúde.

Em Bruxelas. A jornalista viajou a convite da Comissão Europeia

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