Ministério Público investiga alegados maus tratos a bebés em creche em Faro

Duas funcionárias da creche já foram suspensas

O Ministério Público está a investigar um caso de alegados maus tratos a bebés num centro infantil em Faro, situação que já levou à suspensão de duas funcionárias, informou hoje a Diocese do Algarve.

Os alegados maus tratos terão ocorrido na creche "O Despertar", uma valência da Cáritas Diocesana do Algarve, cuja direção instaurou um processo disciplinar e "suspendeu de imediato as funcionárias", logo que teve conhecimento da situação, em julho de 2017, lê-se em comunicado.

"A direção da Caritas Diocesana tomou providências junto do Ministério Publico, para que este organismo investigasse estas alegadas agressões, estando o processo neste momento em segredo de justiça", refere a Diocese do Algarve, sublinhando que estão a ser realizados todos os procedimentos "para garantir a absoluta segurança e bem-estar" a todos os bebés e crianças.

A Diocese acrescenta ainda que o Bispo do Algarve, informado do processo pela direção da Cáritas Diocesana, "manifestou-lhe o seu apoio e a sua confiança", solicitando-lhe que este processo "fosse tratado de acordo com as leis em vigor nestas circunstâncias com o conhecimento dos pais em causa".

Atualmente com capacidade para 152 crianças e cerca de 30 colaboradores, o centro infantil é uma valência da Cáritas Diocesana do Algarve, que começou a acolher crianças na década de 1970, tendo depois passado para instalações definitivas.

Com creche e pré-escolar, a creche compreende dois berçários e duas salas para idades entre os três meses e os dois anos de idade, e o jardim de infância (educação pré-escolar) compreende salas para os três, quatro e cinco anos de idade.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...