Menos de metade das entradas por mar do que no ano passado

Número de migrantes a chegar à UE em queda, exceto na rota ocidental. Não há registo de mortes há quase um mês

Desde o início do ano, e até 27 de agosto, entraram na União Europeia (UE) através do Mediterrâneo 121 517 migrantes e refugiados, segundo os números da Organização Internacional para as Migrações (OIM). No ano passado, até à mesma data, o número de chegadas já era de 272 612, chegando ao final do ano às 363 045. Desde 9 de agosto que não há registo de uma morte, tendo no mês passado sido contabilizadas 19 na região - uma queda acentuada em relação às 689 registadas em agosto de 2015 ou às 62 em 2016.

A maioria dos migrantes chegaram pela Itália, ao contrário do que acontecia até ao final de agosto do ano passado, quando a Grécia ainda era a principal porta de entrada na UE. No final do ano, a rota central tinha contudo ultrapassado a do Mediterrâneo Oriental. Neste ano, as entradas pela Grécia são praticamente residuais (menos de 15 mil comparadas com 163 mil entre janeiro e finais de agosto de 2016), com a Itália a ser o primeiro país europeu pisado por mais de 98 mil migrantes que atravessam o Mediterrâneo.

A preocupação, contudo, vai para Espanha, onde o número de entradas quase triplicou neste período - de 3805 para 8385. De acordo com os dados da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados membros da UE (Frontex), só em julho o número de travessias ilegais detetadas chegou às 2300, o que representa quatro vezes mais do que no mesmo mês de 2016.

Segundo a Frontex, uma das razões para o aumento nas travessias usando a rota ocidental prende-se com a crescente instabilidade nos países de origem (maioria vem da Costa do Marfim, da Guiné Conacri e da Gâmbia) e de trânsito dos migrantes. A destruição dos campos ilegais em Marrocos e na Argélia também "empurrou" os migrantes para outras áreas.

Por seu lado, a redução do número de chegadas através da Itália no mês de julho deveu-se às piores condições marítimas no início do mês. Além disso, combates perto de Sabratha, um dos principais pontos de partida, também afetaram as operações de contrabando de pessoas, com a presença reforçada da Guarda Costeira da Líbia a desencorajar também as partidas. No final de agosto, a agência Associated Press revelou que o governo líbio, apoiado pela ONU, como parte de um acordo com Roma, estava a pagar e a equipar milícias para que estas travassem a partida dos migrantes. A Itália, porém, negou apoiar qualquer acordo do género.

A Espanha tornou-se precisamente a líder da força naval da UE que luta contra a imigração ilegal no final de agosto, sendo a primeira vez que um navio espanhol assume esse cargo. O Cantabria, que tem 200 tripulantes, substitui o italiano San Giusto. O contra-almirante Javier Moreno assume os comandos da força, que conta ainda com mais dois barcos (além do italiano, um alemão) e cinco meios aéreos. "O objetivo não são os migrantes, mas aqueles que estão a fazer negócio com as suas vidas", indicou Moreno na cerimónia de tomada de posse.

Desde o início da missão da força naval da UE, em junho de 2015, foram resgatadas quase 40 mil pessoas e detidos 117 traficantes, neutralizando-se 477 embarcações que partiram da costa da Líbia.

Quanto ao número de mortes, desde 9 de agosto que a OIM não tem registo de nenhuma no Mediterrâneo. Desde o início do ano, foram registadas 2410 vítimas mortais (2244 na rota do Mediterrâneo Central); no ano passado, até 27 de agosto, tinham já sido registadas 3228 durante a travessia, a maioria (2726) também na rota que liga a Líbia à Itália.

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