Marta Temido afasta para já máscara obrigatória e testes gratuitos em farmácias

A ministra da Saúde indicou que o número de casos diários pode atingir cerca de 60 mil no final do mês. INSA refere que a média diária aumenta para 22.805 casos de infeções e que o Norte regista Rt de 1,30, o mais alto de todas as regiões.

A ministra da Saúde, Marta Temido, revelou esta quarta-feira que hoje irá reunir com peritos para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, que tem revelado uma tendência crescente de novos casos.

Admitiu que a evolução da pandemia venha a condicionar a atividade hospitalar programada e recusou para já o regresso de testes gratuitos nas farmácias e uso obrigatório de máscaras

"Nós temos estimativas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) que apontam para cerca de 60 mil casos [diários] no final do mês de maio. Sabemos que ainda estamos a subir em número de casos. Significa mais doença, mais pressão para os hospitais, para os serviços de saúde, isso é indesejável por todos porque precisamos de nos concentrar em responder a outras necessidades", afirmou a ministra da Saúde, à margem do 5º aniversário da Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA), que decorreu esta tarde no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Significa também, continuou, a necessidade de "proteger, uma vez mais, os mais vulneráveis".

"Nós continuamos a acompanhar a evolução da situação epidemiológica com os peritos, com reuniões regulares, não aquelas clássicas reuniões do Infarmed, mas reuniões de trabalho regulares. Hoje mesmo, haverá uma reunião informal com peritos para conseguirmos adaptar a nossa estratégia à evolução da situação", disse.

A governante referiu que a resposta dos serviços de saúde à população também está a ser acompanhada. "Todos nós gostaríamos de poder responder a outras patologias que não só a covid-19, mas sabíamos também que a pandemia não tinha acabado e que estávamos sujeitos a uma nova vaga de crescimento".

Questionada sobre um possível regresso de restrições e de medidas, como os autotestes gratuitos em farmácias e o uso obrigatório de máscaras em espaços fechados, para fazer face ao aumento de infeções pelo SARS-CoV-2, tendo em conta que amanhã reúne-se o Conselho de Ministros, Marta Temido esclareceu que a comparticipação dos testes é uma decisão do Ministério da Saúde "em função da evolução da situação epidemiológica".

Voltar a comparticipar testes à covid-19 nas farmácias, uma decisão que nem precisa de aprovação em Conselho de Ministros, até poderá voltar a fazer sentido, mas não para já.

"Poderá fazer [sentido], designadamente numa outra altura em termos de sazonalidade da infeção. Neste momento, aquilo que estamos a apostar é a prescrição através da linha de Saúde24. A linha de saúde24 tem tido constrangimentos, percebo que isso dificulte a expectativa das pessoas no acesso à linha, mas recordo que temos introduzido melhorias", defendeu a ministra

A ministra reiterou que "as pessoas que têm suspeita de serem um caso covid-19 devem fazer um autoteste".

Destacou o facto de o método de testes ter evoluído muito durante a pandemia. "No início da pandemia só aceitávamos os testes PCR, depois passamos a aceitar os testes rápidos de antigénio, depois vulgarizaram-se os auto testes", resumiu para dizer: "Hoje em dia o autoteste tem uma fiabilidade elevada", referiu, afastando, para já, o regresso aos testes gratuitos.

"Quando a pessoa entende necessitar de um teste confirmatório, ligando para a linha SNS 24 pode ter acesso a esse teste rápido de antigénio, já disponibilizado praticamente quase automaticamente", sublinhou. "Mas estamos, cada vez mais, num padrão de resposta à doença em que é a autoresponsabilização e o cidadão, que são colocados - não abandonados - perante a necessidade de adaptar os seus comportamentos àquilo que é a evolução da doença", considerou Marta Temido.

Reconheceu os efeitos do aumento do número de casos, nomeadamente no aumento da pressão hospitalar, sobretudo no norte do país, e admitiu o condicionamento da atividade hospitalar programada, o que é "uma grande preocupação".

"Sabemos que temos que combinar a resposta à covid-19 e aquilo que é também a expectativa social de um funcionamento o mais regular possível com a resposta às outras necessidades assistenciais. E sabemos que temos os nossos serviços sobre uma intensíssima pressão que merece naturalmente a nossa preocupação e o nosso acompanhamento e a nossa tentativa de reforço de mecanismos e por isso mesmo é que é preciso que todos façam a sua parte", disse.

A ministra da Saúde sublinhou que as decisões sobre a pandemia foram "sempre tecnicamente fundadas", mas admitiu que têm "uma componente de leitura política da realidade e daquilo que são as expectativas sociais e a proporcionalidade das medidas para fazer face a cada momento da evolução da pandemia".

"A própria população portuguesa mostrava saturação das medidas e nós sabemos que podemos ter que guardar medidas para momentos mais difíceis. A questão é se este momento é um momento que se torna mais difícil ou se o conseguiremos vencer", disse.

Nova sublinhagem da variante Ómicron deverá atingir uma prevalência de 80% no dia 22 de maio

Marta Temido referiu ainda não estar completamente definido o contributo da nova sublinhagem da variante Ómicron para o quadro de aumento de casos, mas as estimativas do INSA apontam para que atinja uma prevalência de 80% no dia 22 de maio.

Quanto aos constrangimentos que a linha de Saúde 24 tem enfrentado nas últimas semanas, a ministra referiu que a Altice, o operador contratado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) para gerir a linha Saúde24, está já a contratar mais pessoas para reforçar o atendimento.

"Na passada segunda-feira houve mais de 70 mil chamadas para a linha de Saúde24, uma semana antes eram cerca de 53 mil, uma semana antes cerca de 23 mil. Estamos a falar de uma afluência significativa. Estamos a introduzir mecanismos em trabalho conjugado com a Altice no sentido de agilizar as respostas, no sentido de reforçar escalas outra vez", disse.

Marta Temido insistiu na ideia de responsabilidade individual e disse que a atual estratégia do Governo assenta na "proteção dos mais vulneráveis", nomeadamente os mais idosos e residentes em lares, através do reforço da vacinação.

Deu o seu próprio exemplo, justificando o uso de máscara durante a cerimónia num momento em que já não é obrigatório por lei, o que não impede que seja recomendada em certas circunstâncias, sublinhou.

"Neste momento temos que ser todos mais cautelosos novamente. [...] Vou continuar a utilizar enquanto os números estiverem com esta dimensão, porque a prudência e os médicos assim o aconselham", disse.

Média diária aumenta para 22.805 casos de infeções. Norte regista Rt de 1,30, o mais alto de todas as regiões

Declarações da ministra da Saúde numa altura em que a média de infeções aumentou de 14.400 para 22.805 casos diários em Portugal, sendo que o Norte regista um índice de transmissibilidade (Rt) de 1,30, o mais alto de todas as regiões, indica esta quarta-feira o INSA.

Segundo o relatório semanal do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a evolução da covid-19 no país, o Rt - que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de cada pessoa portadora do vírus -- atingiu os 1,23 a nível nacional e 1,24 em Portugal continental no período entre 9 e 13 de maio.

Os dados hoje divulgados avançam ainda que o número médio de casos diários de infeção a cinco dias passou dos 14.400 para os 22.805 em Portugal, sendo ligeiramente mais baixo (21.980) no continente.

Por regiões, a Madeira é a única que apresenta um Rt abaixo do limiar de 1, apesar de ter registado um aumento de 0,86 para 0,99.

Este indicador é mais alto no Norte, que passou de 1,17 para 1,30, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo com 1,23, o Centro com 1,17, o Algarve com 1,15, os Açores com 1,14 e o Alentejo com 1,13.

"Todas as regiões, à exceção da região autónoma da Madeira, apresentam a média do índice de transmissibilidade (cinco dias) superior a 1, o que indica uma tendência crescente" de novas infeções, alerta o INSA.

De acordo com o documento, todas as regiões registam também uma taxa de incidência bastante superior a 960 casos por 100 mil habitantes em 14 dias, sendo a mais elevada nos Açores (2.933,1), seguindo-se o Centro (2.797,2), o Alentejo (2.678,5), o Norte (2.505,9), Lisboa e Vale do Tejo (1.888), o Algarve (1.842,1) e a Madeira (962,1).

O INSA estima que, desde o início da pandemia e até 13 de maio, Portugal tenha registado 4.118.509 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19.

Notícia atualizada às 21:48

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