Mãe de Rúben diz que não perdoa Portugal se os iraquianos escaparem impunes

"Rúben teve azar de estar no local errado à hora errada e de ser português", diz a mãe

A mãe do Rúben Cavaco, o adolescente agredido em Ponte de Sor, diz que não vai perdoar o governo português se os agressores do filho não forem responsabilizados pelo ato. Numa carta aberta, Vilma Pires diz que Portugal tem a obrigação de "mover céu e terra" para proteger os seus cidadãos, principalmente em território nacional.

"Como toda a gente sabe [...] o meu filho foi espancado praticamente até à morte por dois jovens iraquianos, na sua terra e no seu país, só não tendo morrido por milagre, apesar de ninguém ter dúvidas de que era essa a vontade dos agressores". Assim começa a carta aberta de Vilma Pires, a mãe do jovem agredido em Ponte de Sor pelos dois filhos do embaixador iraquiano.

Na carta enviada às redações, após a embaixada do Iraque ter adiado a decisão sobre pedido de levantamento de imunidade diplomática dos filhos do embaixador, Vilma Pires descreve o ataque ao filho como "um crime hediondo e selvagem em território português e contra um jovem cidadão português".

Rúben teve o azar não só de estar no local errado à hora errada como também de ter nascido português

A mãe de Rúben pede que "o Governo português responda com a defesa intransigente do valor sagrado da justiça e dos direitos dos seus cidadãos" e, como forma de reparação, exige que Rúben seja indemnizado "nos termos da lei portuguesa, caso os agressores não tivessem imunidade diplomática".

Vilma Pires afirma que o filho e o Estado Português, "mais precisamente o Hospital Público de Santa Maria têm direito, face à lei portuguesa, a ser ressarcidos pelos prejuízos sofridos". E, visto que a dívida para com o estado está saldada, porque o embaixador iraquiano pagou "extrajudicialmente a fatura do Hospital de Santa Maria", resta a dívida a Rúben, que esteve internado entre os dias 17 de agosto, quando foi agredido, e 2 de setembro.

"Quanto ao Rúben, teve o azar não só de estar no local errado à hora errada como também de ter nascido português e, como todos sabemos, os políticos portugueses só são bons para os estrangeiros", continua a mãe.

"Toda a gente reconhece que este é um dos crimes que não faz qualquer sentido estar abrangido pela Convenção de Viena", diz Vilma Pires. "Nem eu, nem o meu filho, assinámos a Convenção de Viena ou sabemos sequer o que lá vem escrito", acrescenta.

Nem eu, nem o meu filho, assinámos a Convenção de Viena ou sabemos sequer o que lá vem escrito

Vilma afirma que "se o Estado Português assinou a Convenção de Viena, devia garantir a proteção e a segurança dos cidadãos portugueses que vivem em Portugal contra aqueles que, ao abrigo da Convenção de Viena, se deslocam livremente pelo território nacional com o direito de agredir e matar livremente qualquer cidadão que se lhe atravesse no caminho, impunemente e sem ter de prestar contas à justiça."

"Ainda acreditei que o envio do ramo de flores pelo senhor Embaixador do Iraque fosse a manifestação de algum sinal de arrependimento", diz Vilma, "Mas, pelos vistos, entendi mal o gesto".

"E se não perdoo à Embaixada e ao Governo do Iraque a cobertura que deram para que este crime ficasse impune, ainda perdoarei menos ao Governo português se não mover céu e terra, designadamente, na União Europeia e na Nato, para que se faça justiça!"

Para que isso aconteça, no entanto, a mãe do Rúben pede que o povo português não esqueça o seu filho e "não consinta que o Governo português abandone à sua sorte o meu filho, como sempre costuma fazer com os cidadãos portugueses quando estão em jogo interesses estrangeiros".

Para terminar, Vilma pede "a ajuda de Deus, o apoio dos portugueses e da comunicação social" para que a justiça vença.

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