Madre Teresa, a primeira Nobel da Paz a tornar-se santa

Mais de 100 mil bilhetes distribuídos para a cerimónia, em Roma, que consagra a mulher reconhecida tanto pela sociedade civil como pela Igreja, cuja imagem nem várias polémicas beliscaram

Já lhe chamavam-lhe a "santa das sarjetas" - não num sentido depreciativo mas em referência aos pobres e doentes que acolhia nos centros das Missionárias da Caridade, em Calcutá. Agora, Madre Teresa, nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu na atual cidade macedónia de Skopje, em agosto de 1910, filha de pais albaneses, torna-se neste sábado santa de pleno direito, numa cerimónia na Praça de São Pedro, em Roma, para a qual já foram distribuídos mais de 100 mil bilhetes e onde marcarão presença representantes de todo o mundo, incluindo vários líderes políticos.

Será a derradeira consagração de uma das mais consensuais figuras da Igreja. E também a primeira vez que um vencedor do Prémio Nobel da Paz (que recebeu em 1979) junta ao reconhecimento da classe civil a consagração máxima pela Igreja Católica.

"Beata" desde outubro de 2003, por decisão de João Paulo II, depois de ter sido atribuída à sua intervenção junto de Deus a cura inexplicável de um cancro maligno no abdómen de uma mulher indiana chamada Monica Besra. O "milagre" que lhe decidiu o Vaticano, no ano passado, a elevá-la à condição de Santa, envolve a cura espontânea, em 2008, de um engenheiro brasileiro, chamado Marcilio Andrino, que recuperou de um coma, causado por vários quistos e uma infeção cerebral, alegadamente depois de a mulher ter rezado insistentemente a um medalhão com a imagem de Madre Teresa.

Amada e criticada

Apesar da capacidade para gerar consensos à sua volta, incluindo entre seguidores de outros credos, Madre Teresa também não se livrou de muitas críticas e suspeitas, tanto em vida como após a sua morte. Desde o jornal de medicina The Lancet, a investigações universitárias e reportagens publicadas em grandes órgãos de informação, foram várias as denúncias de que foi alvo.

Acusaram-na de glorificar o sofrimento dos doentes que acolhia, dando pouca importância à administração de sedativos que poderiam aliviar-lhes a dor, de juntar pacientes com doenças infecciosas com os restantes e até de fomentar conversões ao catolicismo dos moribundos através de métodos pouco ortodoxos. A gestão que fazia das finanças da congregação, bem como o facto de ter aceite donativos de algumas figuras controversas, incluindo de alguns ditadores, também foram alvo de críticas.

As revelações potencialmente mais penalizadoras, sobretudo para a causa da sua santidade, surgiram já após a sua morte .Um livro reunindo manuscritos seus, revelou vários excertos, escritos nas décadas de 1950 e 1960, onde parecia assumir algum afastamento da fé. Mais recentemente, Monica Besra, cuja "cura" deu origem à sua beatificação, fez declarações à imprensa indiana, afirmando que, durante o processo de beatificação, recebeu várias visitas de freiras, pertencentes à congregação das Missionárias da Caridade, que lhe teriam prometido auxílio, nomeadamente financeiro, tendo depois deixado as promessas por cumprir.

Mas nada disto parece ter beliscado a imagem da agora santa, quer perante a maioria dos fiéis quer no próprio Vaticano.

Madre Teresa de Calcutá morreu no dia 5 de setembro de 1997, de ataque cardíaco, numa altura em que preparava uma cerimónia de homenagem póstuma à sua amiga Diana, princesa de Gales.

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