Macron e Marcelo em passeio à beira rio

Presidente francês lembrou no Parque das Nações a importância da cimeira que serviu para criar "coligações para proteger melhor os nossos espaços marítimos".

À beira Tejo, num ambiente bem mais descontraído e informal do que deixara poucas horas antes na Cimeira da NATO, em Madrid, o presidente francês Emmanuel Macron deu, ao princípio da tarde de ontem, um passeio na companhia de Marcelo Rebelo de Sousa. A distância percorrida foi curta (entre a sede dos trabalhos da Conferência dos Oceanos, o Altice Arena, e o Oceanário de Lisboa), mas permitiu uma conversa entre os dois chefes de Estado, os jornalistas e - para não quebrar a tradição iniciada pelo Presidente anfitrião - algumas selfies com populares.

Depois de ter discursado no plenário (onde anunciou a intenção da França de coorganizar, em parceria com a Costa Rica, a próxima Conferência dos Oceanos, que será a terceira, prevista para 2025), o presidente francês explicou alguns dos seus pontos de vista em matéria ambiental, nomeadamente no que se refere à necessidade de recuperar o tempo perdido na área crítica da sustentabilidade dos mares.

A gravidade da conjuntura política internacional, com os problemas colocados pela guerra na Ucrânia, não pode justificar que os países esqueçam a missão de proteger os oceanos. "Não devemos desviar-nos dos objetivos inseridos na agenda de desenvolvimento sustentável estipulados pelas Nações Unidas", afirmou ainda Emmanuel Macron, que lembrou a cimeira One Ocean, realizada na cidade francesa de Brest, de 9 a 11 de Fevereiro último (onde, aliás, também esteve presente Marcelo Rebelo de Sousa).

Macron frisou a continuidade de preocupações e temas em debate entre os dois acontecimentos, sobretudo os que se relacionam com os imperativos de descarbonizar o transporte marítimo, de libertar os mares da poluição causada pelo desperdício de plástico e de pôr termo à pesca ilícita. "Restaurar o património marítimo é uma prioridade", afirmou ainda, referindo-se aos compromissos de Nairóbi.

Recorde-se que, no domingo passado, após seis dias de negociações em Nairobi, capital do Quénia, representantes dos 193 países que compõem a Convenção de Biodiversidade Biológica da ONU aprovaram um esboço do próximo acordo global de biodiversidade. O que naturalmente inclui as espécies marinhas.

Para o presidente francês, a cimeira de Lisboa deve servir para "mobilizar a comunidade internacional para a importância destes objetivos" também no que se refere à proteção dos oceanos. "Criámos coligações para proteger melhor os nossos espaços marítimos. Graças a esta conferência de Lisboa, foram reunidos mais países. Chegámos a mais de 100." E continuou: "Depois de Brest, estamos todos mobilizados com compromissos muito concretos, cada um ao seu nível." Recordou, por exemplo, a criação da Coligação de Ambições Elevadas para a Natureza e as Pessoas, consertada pela Costa Rica e pela França, que tenta acelerar o objetivo de atingir 30% de áreas marinhas protegidas até 2030, um compromisso que envolve já 102 países.

Finda a conversa com os jornalistas, o presidente francês, ainda na companhia do seu homólogo português, visitou o Oceanário de Lisboa, não sem antes se referir ao sucesso da Temporada Cultural Cruzada que tem vindo a decorrer nos dois países, ao longo deste ano. E, num tom mais vibrante, ousou mesmo um "J"aime Portugal. É um dos povos europeus de que mais gosto."

dnot@dn.pt

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