Lisboa quer ter rede contra o desperdício alimentar a funcionar em pleno até ao final do ano

Juntas de freguesia e câmara municipal (CML) assinaram esta quinta-feira um protocolo que visa reforçar a criação de núcleos locais. Iniciativa conta já com "milhares" de voluntários

Os números são da Comissão Europeia e constam do Plano Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar (PMCDA), aprovado em janeiro de 2015: em 2012, desperdiçavam-se 89 milhões de toneladas de resíduos alimentares na União Europeia (UE) - o equivalente a 179 kg por habitante -, estimando-se, então, que, "se não fossem tomadas medidas preventivas adicionais, o volume global de desperdício dentro da UE poderia atingir, em 2020, 126 milhões de toneladas". A quatro anos de ser cumprido a prazo, Portugal assinala o ano nacional dedicado ao combate ao desperdício alimentar e Lisboa tem uma "oportunidade única" para ser pioneira nessa área.

De acordo com João Gonçalves Pereira, vereador centrista na autarquia e comissário para a área, a capital portuguesa poderá tornar-se, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o "primeiro município do mundo" a ter implantada no terreno uma rede contra ao desperdício alimentar. A convicção do autarca é de que tal será possível até ao final deste ano.

Esta quinta-feira, foi dado mais um passo nesse sentido. Numa cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho, 16 das 24 juntas de freguesia da cidade celebraram com a CML um protocolo que visa a constituição de Núcleos Locais de Combate ao Desperdício Alimentar. Os representantes das restantes, que esta manhã não puderam estar presentes, selarão posteriormente o compromisso.

A ideia, explicou na sua intervenção João Afonso, vereador dos Direitos Sociais, é que aqueles locais se assumam como "pontos de encontro de todos aqueles que combatem o desperdício alimentar". Aos jornalistas, precisou que a sua formação poderá partir de uma organização já instalada no terreno, de um conjunto de entidades que coordenam o seu trabalho ou da própria junta de freguesia da área em causa.

Em comum têm a proximidade à realidade local, que permite identificar de forma mais eficaz quem poderá doar sobra e quem delas necessita. Os procedimentos a adotar foram já reunidos num guia, que contou com o contributo da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), entre outras entidades.

A publicação é um dos apoios prestados pela CML, que tem ainda a seu cargo a formação dos voluntários envolvidos no processo e que, frisou o autarca, o município não pretende que se tornem profissionais. Até ao momento, decorreram, no âmbito do PMCDA, três sessões, com um total de 35 participantes. "São poucos, mas são os primeiros, além dos que já estavam no terreno", salientou João Afonso na sua intervenção.

As ações irão continuar, mesmo quando a rede, cuja dimensão tem vindo a aumentar, estiver já a funcionar em pleno. Nessa altura, o comissariado, cujo papel é sobretudo o de facilitar e congregar vontades, será extinto, sem que tal signifique o fim do combate ao desperdício alimentar na cidade.

"Não nos interessa estar a fazer uma rede até ao final deste ano e depois em 2017 ela não estar a funcionar", ressalvou, aos jornalistas, João Gonçalves Pereira, lamentando apenas que, até ao momento, os grandes distribuidores não se tenham mostrado disponíveis para integrar a iniciativa, que reúne já dezenas de restaurantes e organizações em toda a cidade. Os voluntários envolvidos, estima, serão "milhares".

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