Ministro da Saúde lamenta perturbação por recolha de corpos nos velórios

Corpos das vítimas da legionella foram recolhidos pela PSP quando já decorriam os velórios

O ministro da Saúde lamentou hoje o "incómodo e perturbação" causado às famílias das vítimas de legionella que se encontravam a ser veladas na terça-feira, quando a polícia recolheu os corpos para autópsia.

Adalberto Campos Fernandes lembrou contudo que "é fundamental que o Ministério Público cumpra o seu trabalho e compreenda o que falhou ou correu mal" no surto de legionella no hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Campos Fernandes disse não ter tido ainda ocasião de falar com a Procuradoria-geral da República, mas lamentou "a forma perturbada como tudo aconteceu".

Os corpos das vítimas mortais do surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, foram recolhidos pela PSP quando estavam a decorrer os velórios, um na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique, e o outro na Basílica da Estrela, por ordem do DIAP. Situações que geraram indignação.

"Quando é que o ministério nos vai dar o corpo da minha avó? O nosso luto foi invadido. Estávamos na nossa dor, a despedir-nos. Queremos ter o nosso tempo de luto", disse ao DN Joana Araújo, neta da vítima feminina, Maria da Graça Ribeiro. "Não contesto as ordens que têm, mas é desumano. Queriam levar o corpo num saco como se fosse lixo", acrescentou.

Num comunicado emitido ontem à noite, o Ministério Público explicou que não recebeu "qualquer declaração de óbito" das duas vítimas mortais do surto de legionela, explicando que, por isso, teve de solicitar as autópsias, que "são essenciais" para a investigação.

"Consciente da sensibilidade da situação, o Ministério Público não pode deixar de lamentar o ocorrido bem como o sofrimento que daí resultou para os familiares das vítimas", conclui o MP nessa mesma nota, em que diz ter decidido, esta terça-feira e por iniciativa própria, instaurar um inquérito respeitante ao surto de legionella.

"Tendo sido noticiadas mortes, entendeu-se, desde logo, que a realização de autópsia e de perícias médico-legais eram essenciais para a investigação em curso", refere a Procuradoria-Geral da República.

O Ministério Público explica que, não tendo recebido "qualquer comunicação de óbito relacionada com esta matéria", teve necessidade de recolher elementos que "permitissem identificar as vítimas, bem como as circunstâncias que rodearam as mortes, designadamente o local onde ocorreram".

"Uma vez obtidos esses elementos, o Ministério Público foi, igualmente, informado de que os corpos já haviam sido entregues às famílias", explica a nota. Assim, o Ministério Público decidiu ordenar o encaminhamento dos corpos para o Instituto de Medicina Legal.

A autópsia ao corpo da mulher está a decorrer esta manhã. Segundo informações prestadas pelo instituto de Medicina Legal aos familiares de Maria da Graça Ribeiro, o corpo deverá ser libertado pelo meio-dia, pelo que as cerimónias fúnebres poderão depois prosseguir. O funeral realizar-se-á amanhã de manhã.

Esta manhã, a filha de Maria da Graça Ribeiro, que se encontra frente ao Instituto de Medicina Legal desde as 7:00, disse ao DN ter recebido uma chamada da diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), Fernanda Pego, em que esta lhe pediu desculpa pelo sucedido e justificou a medida.

O Ministério Público anunciou hoje que os elementos recolhidos originaram a abertura de um inquérito ao surto de legionela no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, que já causou dois mortos e infetou pelo menos 35 pessoas.

"Os elementos recolhidos deram origem a um inquérito, que se encontra em investigação no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa", refere o Ministério Público em resposta enviada à agência Lusa.

* Com Lusa

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG