Doentes cancelam consultas com receio da legionella

Ministro da Saúde espera que entre segunda e terça-feira deixem de aparecer novos casos. Marcelo Rebelo de Sousa mais tranquilo

O Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, recebeu nos últimos dias um volume anormal de chamadas de utentes com medo de ir às consultas por causa do surto de legionella, que já infetou 41 pessoas e provocou a morte a duas. "O medo instalou-se. Houve um pico de chamadas de pessoas que têm receio de se deslocar ao hospital. Foram desmarcadas muitas consultas importantes", adiantou fonte daquela unidade hospitalar. Entre os infetados, soube o DN, há dois funcionários do hospital: um eletricista e uma auxiliar.

Na segunda-feira, adianta a mesma fonte, "os corredores estavam vazios, porque as pessoas faltaram às consultas. Não havia o movimento que é normal. Parecia fim-de-semana".

No âmbito da investigação ao surto de legionella, a Polícia Judiciária e um procurador do Ministério Público (MP) estiveram ontem nas instalações da Direção-Geral da Saúde (DGS). Ao DN, fonte do MP confirmou que " a realização de uma reunião de trabalho na DGS", enquanto a DGS preferiu não comentar.

Até ao momento, foram identificados 41 casos, um número que, de acordo com o ministro da Saúde, está dentro do esperado. "Não tem havido nenhum desvio àquilo que tem sido a análise epidemiológica da DGS", disse Adalberto Campos Fernandes, que acredita que "essa tendência se acentuará". O executivo prevê que entre segunda e terça-feira "em que se finaliza o tempo máximo admissível para o período de incubação, esses [novos] casos começarão a tender para zero".

Relativamente aos 41 infetados com a bactéria, o ministro adiantou que além dos dois que tiveram alta e dos dois que faleceram, "estão cinco em cuidados intensivos e os restantes em internamento geral com sinais de recuperação e de melhoria significativa".

Já o primeiro-ministro, salientou ontem que não lhe compete avaliar a atuação do Ministério Público ao determinar a autópsia de duas vítimas de legionella que já se encontravam a ser veladas, mas disse registar o pedido público de desculpas pela atuação "que, obviamente, não é condizente com desejado relacionamento entre o Estado e os cidadãos". "Creio que o ministro da Saúde [Adalberto Campos Fernandes] tem sido muito claro na explicitação daquilo que aconteceu e dos inquéritos que estão em curso para o apuramento dos factos", disse o líder do executivo.

Em declarações à Lusa, o Presidente da República mostrou-se ontem mais tranquilo quanto ao surto. "Tranquilo porque há promessa de uma investigação interna da parte das estruturas de saúde, independentemente depois da investigação do Ministério Público", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. Para o presidente da República, "há aqui uma aprendizagem de que, por um lado, é bom haver colaboração entre autoridades e, segundo, que se pode e deve cumprir a lei com sensibilidade em relação às pessoas, sobretudo aquelas que estão num momento de maior fragilidade".
De acordo com a Sábado, foram "confirmados pelo menos quatro focos de contaminação" no Hospital São Francisco Xavier: "Dois dos resultados positivos, onde foi identificada a bactéria, referem-se a duas torres de refrigeração do hospital e os outros dois, a pontos de água".

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