Judiciária detém dois inspetores da própria PJ por suspeitas de corrupção

Os detidos são um histórico da PJ, antigo coordenador já reformado, e um inspetor-chefe - ambos ligados ao combate ao tráfico de droga

A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje um inspetor reformado da PJ e outro que estava no ativo por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais, entre outros crimes, segundo fonte da PJ garantiu ao DN.

A mesma fonte adiantou que há mais 13 pessoas detidas no âmbito da mesma investigação e que esta decorria há vários anos. Os elementos da PJ detidos são um antigo coordenador já reformado - Carlos Dias Santos - e um inspetor-chefe - Ricardo Macedo - que trabalhava na Unidade Nacional de Combate ao Trafico de Estupefacientes (UNCT). Este foi detido pela manhã quando entrava ao serviço.

O diretor da Europol, a agência que coordena as polícias europeias, considera que o resultado da operação conduzida em Portugal se trata de "um caso invulgar". Robert Wainwright lamenta que o envolvimento de agentes de polícia continue a "ser um facilitador" de crimes como o "tráfico de droga".

A Operação Aquiles - que tem sido "muito complexa e demorada" - mobilizou quase duas centenas e meia de elementos da PJ, assim como magistrados judiciais e do Ministério Público, tendo sido realizadas cerca de 120 buscas em todo o pais em Lisboa e no Porto.

Em 2009, segundo noticiou na altura a revista Sábado, o Ministério Público recebeu várias denúncias sobre inspetores, inspetores-chefes, coordenadores e coordenadores superiores. Estavam acusados de receberem dinheiro, venderem cocaína e de ignorarem o desaparecimento de milhões de euros.

Carlos Dias Santos é um histórico da PJ que esteve até 2011 na polícia, num total de 34 anos de serviço. Em 2008 foi um dos principais investigadores da Direção Central de Investigação de Tráfico de Estupefacientes. Foi responsável pela detenção de Franclim Lobo, posteriormente ilibado nos tribunais, mas alegadamente um dos maiores traficantes de droga portugueses.

Entre 2003 e 2008, apreendeu 37 toneladas de haxixe, quase nove toneladas de cocaína, 221 quilos de heroína e cerca de 12 milhões de euros provenientes do tráfico de droga. Em novembro de 2008 foi afastado da DCITE pela Direcção Nacional da PJ devido a uma denúncia interna.

A suspeita sobre Dias Santos constará de uma informação interna da própria PJ remetida para o gabinete de Almeida Rodrigues.

A Operação Aquiles está a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), em colaboração com a UNCTE, em inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). A investigação, segundo a PJ, vai prosseguir com vista à recolha de mais provas.

Segundo comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR), "no âmbito de um inquérito em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), estão em curso várias diligências, designadamente buscas nas zonas de Lisboa e Porto, tendo sido emitidos mandados de detenção". A mesma fonte admite que se investigam "designadamente, suspeitas da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa e branqueamento.

Neste inquérito, que se encontra em segredo de justiça, o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ".

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