Investigadores portugueses descobrem novo caminho para atacar parasita da malária

Cientistas portugueses podem ter descoberto um "calcanhar de Aquiles" do parasita da Malária

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) descobriram como se protege o parasita da malária no fígado humano, estando agora a pesquisar medicamentos que ataquem essa proteção, sem a qual o parasita morre.

Os investigadores consideram que a proteína UIS3 - que se liga a outra proteína para proteger o parasita de se autodestruir no fígado - é "um possível calcanhar de Aquiles" do parasita.

Num estudo publicado hoje na revista Nature Microbiology os cientistas defendem que a investigação "demonstrou que sem a proteína UIS3 o parasita não é capaz de sobreviver dentro de células do fígado de ratinhos normais. No entanto, recupera a sua capacidade infecciosa se a autofagia do hospedeiro se encontrar comprometida", segundo um comunicado do iMM.

A investigadora Maria Mota, que liderou a equipa, explicou à Lusa que o parasita da malária se aloja primeiro no fígado e só cerca de uma semana depois infeta as células do sangue, um mecanismo que só foi descoberto a meio do século passado.

"A fase hepática (que diz respeito ao fígado) é muito importante", porque a picada de mosquito transmite um pequeno número de parasitas, que só depois se multiplicam por milhares, explicou a investigadora, dando um exemplo.

O que a equipa descobriu foi que o parasita deposita uma proteína na membrana que o envolve o que impede que o sistema o destrua, ainda que o detete. "As células têm um sistema de autofagia, que serve para destruírem corpos estranhos, o que se passa neste caso é que a célula ataca mas o parasita defende-se", disse Maria Mota.

"Se conseguirmos bloquear o inibidor o hospedeiro destrói o parasita", disse a investigadora, acrescentando que o próximo passo é descobrir um medicamento que impeça a formação desse "escudo protetor".

"Arranjar um fármaco não é simples, embora em teoria seja simples", disse Maria Mota, acrescentando que a equipa está a testar já "duas ou três" formas mas que soluções finais demorarão sempre alguns anos.

E deverá ser um medicamento profilático, para viajantes e pessoas que vivam em zonas endémicas, afirmou.

"Esta descoberta identifica a proteína UIS3 como um possível alvo para o desenvolvimento de novos fármacos contra o parasita da malária, nomeadamente contra as formas hepáticas da doença", refere o comunicado do iMM.

O iMM, instalado em Lisboa, é um instituto que promove a investigação biomédica, nas áreas do estudo dos mecanismos da doença e do desenvolvimento de novas formas de diagnóstico e de novas abordagens terapêuticas.

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