Visitas a caravelas e animação de rua no aniversário da Ponte 25 de Abril

Ponte comemora este sábado meio século de existência

Quatro embarcações abertas ao público, bancas de comida e animação de rua assinalam, a partir de hoje e até sábado, os 50 anos da Ponte 25 de Abril no cais de Cacilhas, em Almada.

A caravela Vera Cruz, o navio "Creoula" e a fragata "D. Fernando II e Glória" são as três embarcações portuguesas que vão estar disponíveis para visita do público e para alguns eventos a bordo, numa iniciativa a que se associa também o navio holandês "Gulden Leeuw".

De férias em Portugal, a brasileira Renata Nascimento disse à Lusa que colocou "os veleiros no roteiro" turístico, considerando que "é um passeio imperdível".

Acompanhada dos dois filhos pequenos, a turista visitou o navio "Gulden Leeuw" e ficou surpreendida com o funcionamento da embarcação.

"Pensávamos que era tudo muito pequeno, que não tinha muito conforto, mas é o contrário", expressou.

Sobre o aniversário da Ponte 25 de Abril, Renata Nascimento contou que já atravessou a infraestrutura e que esta "faz lembrar a ponte Niteroi, uma ponte no Brasil que passa do Rio de Janeiro para a cidade de Niteroi".

O evento de comemoração dos 50 anos da ponte é organizado pela Aporvela -- Associação Portuguesa de Treino de Vela, em parceria com a Câmara de Almada.

Segundo o presidente da Aporvela, João Lúcio, o aniversário da ponte "não podia passar em branco" e as celebrações tinham de ser no rio Tejo, uma vez que a infraestrutura uniu as duas margens, Almada e Lisboa.

"Vai com certeza haver aqui um grande encontro de gente de mar com gente de terra, de ex-construtores [da ponte]. Vai haver muitas histórias para contar", referiu João Lúcio.

No arranque das comemorações, José Silva, antigo consultor da Junta Autónoma das Estradas, entidade que explorou até 1996 a ponte sobre o Tejo, reconheceu que a infraestrutura "é uma obra extraordinária", recordando que "muita gente disse que não se conseguia fazer".

"Da minha janela vi construir a ponte peça a peça e quando foi concluída senti que estava feito um monumento. [...] Proporcionou uma liberdade muito importante, que é a liberdade de poder circular", lembrou José Silva.

A comandar o "Creoula", Samuel Oliveira estava pronto para receber muitos visitantes, uma vez que este é um navio "com uma magia diferente dos que se fazem hoje em dia".

Segundo o vice-presidente da Câmara de Almada, José Gonçalves, a intenção é "comemorar com a população" o aniversário, reconhecendo que a infraestrutura foi "determinante" para o desenvolvimento da margem sul do rio Tejo.

Antes da construção da ponte a ligação entre as duas margens "passava muito por Cacilhas", através dos cacilheiros, declarou.

Para o vice-presidente da Câmara de Almada, as quatro embarcações para visita ao público são a "memória viva do património histórico".

Além de visitas às embarcações, o evento vai criar uma pequena 'village' no cais de Cacilhas, em Almada, onde se poderá comer, beber e ouvir música, assim como assistir a um espetáculo de fogo-de-artifício, na noite de sexta-feira para sábado.

José Gonçalves aproveitou para sublinhar que é necessária a construção de uma nova infraestrutura que ligue as duas margens do rio Tejo, referindo-se à construção de uma ponte entre Chelas (Lisboa) e Barreiro, que já "está muito estudada".

"Pensamos que o país não pode prescindir do sonho de concretizar uma nova travessia do Tejo. Em 50 anos a Ponte 25 de Abril cumpriu a sua função, cumpriu bem, [...] mas a região tem que crescer", defendeu.

Inaugurada a 06 de agosto de 1966, a Ponte 25 de Abril celebra este sábado meio século de existência.

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