Viajar um mês para saltar de um icebergue

Era capaz? Foi o que fez o mergulhador veterano da Red Bull Orlando Duque. O colombiano que venceu o primeiro Cliff Diving, em 2009, viajou 31 dias para mergulhar do alto de um iceberg. E por uma causa nobre

Aos 43 anos, Orlando Duque é o mais experiente e cotado atleta de saltos para a água de grande altura do planeta. Paralelamente à carreira desportiva, que soma já mais de 30 anos de sucessos - incluindo a vitória da etapa açoriana do Red Bull Cliff Diving - o colombiano tem percorrido os cinco continentes vestindo a pele de embaixador da modalidade.

A última aventura deste veterano levou-o a participar numa expedição científica promovida pela Marinha de Guerra da Colômbia. Sensível à questão das alterações climáticas, Duque aproveitou esta oportunidade para fazer um arriscado salto para as águas geladas do Antártida!

Esta viagem de dez mil quilómetros culminou com um salto a partir de um iceberg gigante, com Duque a voar baixinho a partir de 20 metros de altura em direção às temperaturas negativas do Polo Sul. "A paisagem neste local é majestosa! O salto foi um grande desafio, sobretudo devido à instabilidade do gelo, mas felizmente tudo correu bem", explicou o aventureiro, que aproveitou para deixar um alerta: "É essencial reduzir o consumo de petróleo e plástico para preservar lugares como a Antártica".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?