Vale e Azevedo vai ser libertado

Ex-presidente do Benfica Vale e Azevedo é libertado terça-feira

O antigo presidente do Benfica João Vale e Azevedo vai ser libertado na terça-feira da prisão da Carregueira, após cumprir cinco sextos da pena de 11 anos e meio, disse hoje à Lusa a sua advogada.

"Vale e Azevedo vai ser libertado porque cumpriu 5/6 da pena de prisão de 11 anos e meio [aplicada em cúmulo jurídico]", explicou Luisa Cruz, acrescentando que o antigo presidente benfiquista já beneficiou este ano de duas saídas precárias da cadeia: a primeira com a duração de três dias e a segunda por um período de quatro dias.

Vale e Azevedo deverá sair do Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Belas, Sintra, no período da manhã.

Vale e Azevedo cumpriu pena ao abrigo do processo de extradição que o trouxe de Inglaterra para Portugal. O cúmulo jurídico de 11 anos e meio foi fixado com base nas condenações nos processos Ovchinnikov, Euroárea, Dantas da Cunha e Ribafria, estando em causa crimes de burla e apropriação indevida de dinheiros, entre outros ilícitos económico-financeiros.

O ex-presidente do Benfica chegou a Lisboa a 12 de novembro de 2012 após as autoridades britânicas terem permitido a sua extradição, aceitando o mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades judiciárias portuguesas.

A advogada Luísa Cruz disse que Vale e Azevedo enfrenta ainda uma outra condenação de 10 anos de prisão, já transitada em julgado, mas explicou que a instância criminal de Lisboa vai ter agora que pedir aos tribunais ingleses a "ampliação" da extradição que permitiu a prisão do antigo líder do Benfica, pelo que "tudo vai depender" da decisão dos tribunais britânicos.

A pena de 10 anos de prisão foi-lhe aplicada em 2013 e está relacionada com crimes praticados no âmbito das transferências dos futebolistas ingleses Scott Minto, Gary Charles, o marroquino Tahar e o brasileiro Amaral.

João Vale e Azevedo foi eleito presidente do Benfica em outubro de 1997, tendo terminado o mandato no ano 2000.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.