Uso de smartphones e tablets é a nova aposta para comando nos videojogos

Jim Ryan, da Sony Europa, diz ao DN que a criadora da PlayStation está a apostar no uso do smartphone para comando. "As pessoas ficam contentes por usar algo que utilizam a toda a hora para aceder a entretenimento", justifica

Depois de mais de 60 milhões de consolas vendidas em todo o mundo, a PlayStation 4, da Sony, continua a ser um aparelho bastante popular por todo o planeta, com Portugal a não ser exceção. Desde que surgiu a primeira PlayStation, há cerca de 25 anos, muitas foram as mudanças, a maioria resultante dos avanços tecnológicos, que se verificaram na indústria que vive bons tempos, como explica Jim Ryan, presidente da Sony Interactive Entertainment (SIE) na Europa, e responsável a nível mundial por vendas e marketing da empresa.

Ao DN, e à margem da Paris Games Week, o britânico explicou porque se vive numa excelente época para se ser um gamer (apaixonado dos videojogos), bem como de inovação, diversão e a importância da noção de comunidade.

"Os criadores de jogos estão cada vez mais familiarizados com a arquitetura e poder da PlayStation 4. O que estão a começar a fazer é espetacular e acho que tivemos sucesso e demonstrámos isso", disse Ryan, referindo-se ao showcase da marca antes do começo da feira, em que foram apresentadas várias novidades.

E acrescenta: "Ficamos muito felizes por anunciar vários jogos já para 2018 e acho que é justo dizer que se vive numa época ótima para se ser um gamer."

No mesmo showcase, em que Jim Ryan foi anfitrião, este referiu que os criadores de videojogos podem agora tornar realidade os seus sonhos mais loucos. Para o presidente da SIE na Europa, uma das coisas mais importantes e inovadoras é a introdução de storytelling nos videojogos, dando como exemplo os dois jogos que o DN destacou aquando da análise às apresentações das novidades exclusivas para PlayStation 4: Erica e Detroit: Become Human.

Mas não são só os sonhos dos criadores que são tornados realidade. O jogador também vê vários mundos de fantasia tornarem-se quase reais e, para melhorar a experiência, interage com estes universos. Congratulando-se pelo facto de ter apresentado oito jogos novos para a PlayStation 4, e mais oito para o VR (realidade virtual), Jim Ryan destaca ainda que várias temáticas estão a ser abordadas em videojogos de uma forma que nunca foi vista e feita, e que nunca os jogos se pareceram tanto com o que se passa na vida real.

"Com cada geração que passa, a máquina tem ficado cada vez mais poderosa e permite que coisas como o storytelling se tornem possíveis. É a primeira vez que vemos algo deste género. Dois exemplos disso são o Erica e o Detroit: Become Human, que vai ter uma narrativa baseada na decisão", frisou.

"A imersão é uma das grandes qualidades, mas não a única, que tem personificado grandes videojogos e, obviamente, com a tecnologia cada vez mais poderosa, a capacidade de imergir as pessoas nestes jogos torna-se maior. E com a realidade virtual isto é ainda mais pronunciado, porque se está efetivamente dentro do jogo", acrescentou ainda.

O jogo Erica, que ainda não tem data definida para lançamento e que, curiosamente, tem um programador português, foi um dos que despertaram maior interesse e foi feito a pensar no PlayLink, modo que permite jogar PlayStation 4 a partir do smartphone ou do tablet. Sobre o PlayLink, Jim Ryan admite que a Sony está a tentar apelar a um público mais "casual" e que se pode sentir intimidado pelo controlador normal da consola.

"Para uma audiência mais casual, e talvez menos familiarizada com os videojogos, o comando clássico da PlayStation pode intimidar um pouco. Então achamos que a ideia de usar o telemóvel ou o tablet é bastante lógica e uma coisa muito direta de se fazer. As pessoas ficam contentes por usar algo que utilizam a toda a hora e todos os dias para aceder a entretenimento", disse.

Destacou ainda que a maior mudança na indústria, desde que surgiu a primeira PlayStation, há cerca de 25 anos, é que existe neste momento uma "geração que está em rede e permite que alguém em Portugal jogue com alguém na Austrália".

E para quando a PlayStation 5? Bem, esta é uma pergunta que faz Jim Ryan soltar uma gargalhada e à qual responde com simplicidade, dizendo que a empresa está focada no presente. "Vamos trazer os jogos que apresentámos para o mercado e para as pessoas os aproveitarem na PlayStation 4. É nisto que estamos focados", finalizou.

O jornalista viajou a convite da Sony Interactive Entertainment

Rui Salvador, em Paris

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