Universidade de Vila Real socorreu 350 animais selvagens este ano

Maioria dos animais socorridos sofre devido ao impacto humano sobre o seu habitat

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) socorreu, durante este ano, 350 animais selvagens em risco de vida, desde aves, répteis e mamíferos oriundos de todo o país.

"As razões que conduziram à admissão destes animais foram várias, mas na suaua maioria devem-se ao impacto do homem sobre o seu habitat, destacando-se os animais vítimas de disparoou retidos em cativeiro", segundo Roberto Sargo, investigador do Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) do Hospital Veterinário da UTAD, citado num comunicado enviado à agência Lusa.

Destes 350 animais selvagens recuperados -- desde corços, ouriços, cegonhas-brancas, bufos-reais, cágados-mediterrânicos ou águias-calçadas - o maior número são aves (80%), depois mamíferos (14%) e répteis (6%).

"Infelizmente, muitos destes animais apresentavam lesões que não permitiam a sua devolução à natureza ou que conduziram à sua morte", salientou.

Roberto Sargo explicou que a devolução à natureza dos animais recuperados é, regra geral, acompanhada de ações pedagógicas e palestras direcionadas para as crianças das escolas da região que, este ano, ultrapassaram as 100.

"Pretendemos chegar, de uma forma viva e interativa, aos mais novos, sensibilizando-os para a necessidade de se salvaguardar a sobrevivência dos animais que asseguram o equilíbrio do ecossistema", afiançou.

Estas ações servem, ainda, para divulgar as melhores formas de lidar com estes animais, argumentou Roberto Sargo.

O investigador lembrou que as pessoas que encontram animais selvagens feridos devem levá-los para o Centro de Recuperação da UTAD ou contactar o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, preparado para a sua recolha e transporte.

Roberto Sargo realçou que, em caso de recolha, as pessoas devem colocar o animal numa toalha, colocá-lo num ambiente calmo e levá-lo, logo que possível, para um centro de recuperação.

"Não se deve manter o animal em casa mais tempo do que o absolutamente necessário, nem alimentá-lo ou manuseá-lo", ressalvou.

O Centro de Recuperação do Hospital Veterinário da UTAD, além de receber, acolher, tratar e reabilitar a fauna selvagem autóctone, dedica-se à formação de profissionais para trabalharem com estes animais e à investigação na conservação da fauna selvagem e do seu habitat.

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