Uma língua que luta pela sobrevivência

No Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa, uma turma de 15 alunos aprende a língua que, na Galiza, caiu em desuso e que muitos tentam recuperar

Antonio Fente Parada chegou em outubro a Lisboa para ficar três anos. É o leitor de galego da disciplina de Língua, Literatura e Cultura Galegas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Uma unidade curricular opcional para os alunos de licenciatura que conta com 15 alunos, todos portugueses. Luiz Fagundes Duarte, o diretor do Centro de Estudos Galegos daquela universidade, e o professor António estão satisfeitos. Afinal, há uma língua que luta pela sobrevivência e que, ali naquela sala, parece estar de saúde.

Está um mapa da Galiza atrás da porta: só a Galiza e um bocadinho de Portugal. O centro foi criado em 1994, na sequência de um protocolo entre o governo da Galiza e a Universidade Nova. Entre os alunos, há "xente de tradução, de história", diz o professor de galego, naquele linguajar característico. Antonio quase se indigna quando lhe perguntamos se percebe sempre o português: "Mas claro, se é a mesma língua!"

Antonio explica esta longa viagem: "Na literatura galega Portugal sempre esteve presente. Para o galeguismo [defesa dos valores da Galiza], Portugal foi uma referência. A língua na Galiza passou uma época negra, em que o cultivo literário do galego praticamente desapareceu, ficando relegada a língua rural, do povo e não das elites, que empregam o castelhano maciçamente. Quando se dá a recuperação da língua, os autores galegos têm Portugal e o português como a grande referência."

Hoje, o castelhano impõe-se, mas há uma cultura que resiste. A cantautora galega SES lançou um disco chamado Opoñerse á Extinción, lembra Antonio. A extinção é um risco? "Sim, há esse risco. As línguas que não se empregam morrem e hoje nos menores de 15 anos o galego anda por volta dos 20% quando na década de 1970 era a língua usada pela maioria da população." Em Lisboa há 15 alunos a aprender galego. Continua a haver muitas pontes com a Galiza? "Siiimmm", diz Antonio.

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