Um Central Park no meio de Lisboa? Petição pede parque à câmara

Os terrenos da antiga Feira Popular foram duas vezes a hasta pública sem que tenham sido apresentadas propostas

Mais de mil pessoas assinaram uma petição na qual se pede à Câmara de Lisboa a criação de um 'Central Park' nos terrenos da antiga Feira Popular, que foram duas vezes a hasta pública sem apresentação de propostas.

O autor da petição 'online', o lisboeta Augusto Homem de Mello, contou à agência Lusa que a ideia surgiu quando viu "uma foto aérea do espaço, a propósito de uma notícia que dava conta da falta de interessados na aquisição dos terrenos" de Entrecampos.

"Imaginei tudo preenchido de verde, fazendo lembrar o Central Park [grande parque em Nova Iorque com jardins e espaços de lazer]. À parte deste momento, parece-me que é tempo de se 'devolver' estes terrenos à cidade e resolver, de uma vez por todas, o problema que ali mora há anos", disse.

Augusto Homem de Mello é o único autor da petição "Um 'Central Park lisboeta' no antigo terreno da feira popular" e garante não ter ligações a partidos políticos ou associações: "Sou apenas um lisboeta que passa por ali com frequência".

O autor da petição viveu muitos anos em Alvalade e trabalha perto dos terrenos. Além disso, era "frequentador da Feira Popular, nos tempos de juventude, como grande parte dos lisboetas".

O facto de haver "muitos interesses pessoais e agendas próprias" torna a ideia "de difícil execução".

"Ainda assim, sinto que era obrigação da Câmara Municipal de Lisboa alterar a estratégia para este espaço. O formato proposto pela autarquia é leonino e, como se prova pela falta de respostas, não capta qualquer interesse de investidores imobiliários", defendeu.

Augusto Homem de Mello acredita que um 'Central Park' "daria a Lisboa um cartão-de-visita mais sofisticado e mais em linha com outras cidades do 'primeiro mundo'".

No final de outubro esteve marcada a primeira hasta pública de venda dos terrenos da antiga Feira Popular, por um valor base de 135,7 milhões de euros. Porém, no dia anterior à hasta, o município anunciou não ter recebido propostas de interessados.

Uma outra hasta pública foi marcada para 03 de dezembro, mas no dia anterior a Câmara de Lisboa anunciou não ter recebido propostas que preenchessem os requisitos. Contudo, segundo informação do município na ocasião, foram recebidas "três manifestações de interesse firmes e fundamentadas, por parte de investidores devidamente identificados, com solicitação da prorrogação do prazo para entrega de candidaturas que estão ainda a ser desenvolvidas".

A alienação destes terrenos, delimitados pelas avenidas das Forças Armadas, da República e 5 de Outubro e com uma área de construção de 143 mil metros quadrados, foi aprovada em julho pela Câmara e pela Assembleia Municipal.

Segundo o programa do concurso, a superfície destinada ao comércio não pode ser superior a 25%, a da habitação não pode ser inferior a 25% nem exceder 35% da superfície total e 30% do terreno tem, obrigatoriamente, de ser área verde.

Os terrenos da Feira Popular estiveram na origem de um processo judicial que envolveu a autarquia e a empresa Bragaparques e que se arrastou por vários anos.

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