Um brinde de alentejano para Berthold

Campeão do Mundo pela Alemanha em 1990, Pascal Zuberbuhler, ex-guarda-redes da Seleção Suíça, e Josh Simpson, ex-jogador da Seleção Canadiana provaram vinhos portugueses no FIFA World Football Museum

A menos de 30 dias do início do Campeonato do Mundo, Thomas Berthold, Campeão do Mundo pela Alemanha em 1990, brinda ao sucesso do Mundial com os Vinhos do Alentejo. A história repete-se e o sucesso da edição de 2017 levou o Vinho ao Museu do Futebol Mundial da FIFA, em Zurique, na Suíça, sempre pela mão do Alentejo.

Se na estreia, o brinde foi de Gianni Infantino, presidente da organização máxima do futebol mundial, no segundo ano a honra coube a Thomas Berthold, Campeão do Mundo pela Alemanha em 1990 que foi acompanhado neste brinde por Pascal Zuberbuhler, ex-guarda-redes da Seleção Suíça, e Josh Simpson, ex-jogador da Seleção Canadiana. Curioso será lembrar que o guardião suíço conseguiu o feito, no Campeonato do Mundo da Alemanha de 2006, de terminar a fase de grupos sem sofrer golos, até à derrota nos oitavos de final (nos penalties) frente à Ucrânia. Terminou a sua carreira num jogo contra Portugal no Euro 2008.

Os vinhos dos 13 produtores aí representados: Adega Mayor, Enoforum, Dona Maria - Júlio Bastos, Guadelim - Herdade do Pico, Herdade do Perdigão, Herdade dos Grous, João M. Barbosa, Monte do Álamo, Granacer, Quinta do Zambujeiro, Reynolds Wine Growers, Torre de Palma e Herdade do Quetzal, conquistaram estas estrelas do futebol e as quase três centenas de pessoas, dos cinco continentes, que participaram nesta Grande Prova.

"Apresentar os vinhos de uma das mais reconhecidas Regiões Vitivinícolas de Portugal e do Mundo numa cidade tão cosmopolita como Zurique atraiu um público profissional e consumidor diversificado", afirmou Francisco Mateus, Presidente da CVRA, acrescentando que "a presença de um tão vasto público e destes jogadores de referência, mostram que o Alentejo e os seus Produtores têm uma permanente capacidade para surpreender, atrair e conquistar! A presença neste mercado estratégico saí, assim e mais uma vez, reforçada", concluiu Francisco Mateus.

Considerada um grande sucesso pela organização, a prova de vinhos do Alentejo no FIFA World Football Museum, realizada na passada terça-feira, contou com mais de 300 convidados, foi promovida pela CVRA - Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, com produção da EV-Essência do Vinho.

De recordar que a Suíça é um mercado estratégico para os Vinhos do Alentejo, que conquistaram um posicionamento de topo e o reconhecimento de profissionais e consumidores num mercado tão sofisticado, competitivo e diversificado como é o suíço"

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.