Tuk-tuks têm de ser elétricos até junho de 2017 e não levam malas

Regulamento para a circulação de veículos turísticos foi aprovado ontem em reunião de câmara e vai estar 30 dias em discussão pública. Empresas garantem saber adaptar-se

Os tuk-tuks a circular em Lisboa vão ter de ser elétricos a partir do próximo ano. A norma faz parte do regulamento municipal sobre a circulação de veículos turísticos, cuja submissão a consulta pública foi aprovada ontem em reunião privada da câmara.

Com esta medida, a autarquia pretende reduzir a poluição e o ruído, duas das principais queixas que têm sido feitas em relação à circulação destes veículos. A adaptação para reduzir as emissões "tem vindo a ser gradual" e "60% dos veículos já são elétricos", apontou o vereador do Espaço Público, Manuel Salgado, aos jornalistas no final da reunião privada.

Assim, os novos tuk-tuks já terão de ser elétricos, a partir da entrada em vigor do regulamento - o que só deve acontecer no final de janeiro, já que agora vão decorrer os 30 dias de discussão pública -, enquanto os que já estão em circulação terão um prazo para se adaptarem. Manuel Salgado explicou que a autarquia não quis fixar um prazo porque este "também deve ser fixado através do despacho e não do regulamento, mas pensamos que até meados de 2017 estejam todos adaptados". No entanto, na proposta cuja consulta pública foi aprovada - com a abstenção do PSD e do CDS-PP - é referido "um prazo de 180 dias úteis" "para se adaptarem à emissão de poluentes zero".

O documento, a que o DN teve acesso, impede ainda o transporte de bagagens. "Houve também o cuidado de garantir que os tuk-tuks não são concorrentes dos táxis, portanto interditando o transporte de bagagens nos tuk-tuks", acrescentou o vereador. Algo que os operadores tinham pedido que ficasse de fora das restrições. "Tínhamos falado com a câmara para criar uma exceção de pequenas bagagens nos percursos do aeroporto", indicou ao DN Eduardo Vieira, da Tuk On Me.

O mesmo responsável garantiu que a transição para veículos elétricos não será um problema, uma vez que "já tínhamos sido avisados desde há um ano de que íamos ter de ser elétricos". No seu caso, desde o início que são uma empresa "só com veículos elétricos".

Para já, as restrições não assustam. "Sabemos arranjar alternativas e contornar a situação. Os turistas não sabem que há ruas cortadas aos tuk-tuks, criamos percursos alternativos, vai-se a pé a algumas zonas. Muitos querem apenas uma visita geral da cidade. O que interessa é haver clientes", defendeu Eduardo Vieira.

Uma das zonas que mais pressão têm feito para regular a circulação dos tuk-tuks é o Castelo. Onde desde há um ano foi proibida a sua circulação em algumas ruas, por despacho municipal. "A situação melhorou, contudo ainda há uma franja - às vezes considerável - que não respeita a sinalização e circula em ruas interditas. Por exemplo, ainda há pouco vi um tuk-tuk no Castelo e a EMEL baixou o pilarete. É uma zona proibida e não deviam ter esta benevolência", criticou o presidente da junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS).

O autarca acrescentou que a população da zona "continua a sofrer com esta passagem constante" e por isso vai levar uma petição à câmara para alargar as ruas interditas. Entre novembro de 2015 e setembro deste ano, a polícia municipal tinha levantado 600 autos por desrespeito às restrições.

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