Seguranças privados dos aeroportos podem voltar à greve em maio

Sindicato pede uma negociação "de forma séria" e ameaça com uma nova greve no próximo mês

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) avisou hoje que os trabalhadores de segurança e vigilância nos aeroportos nacionais poderão voltar à greve em maio, se as suas empresas não demonstrarem querer "negociar de forma séria".

"Se por acaso não houver uma resposta positiva nos próximos dias, [a dizer] que querem sentar-se à mesa e negociar de forma séria, nós no próximo mês vamos outra vez para a luta. O que quer dizer novamente greve", afirmou Armando Costa, da direção do SITAVA, à agência Lusa.

No quinto e último dia de paralisação parcial, o dirigente sindical argumentou que as empresas devem "recuar na falta de interesse de negociar", já que "alguma coisa tem de mudar da parte da associação de empresas, porque estes trabalhadores não vão parar na luta".

Quanto a números de adesão, Armando Costa indicou que os números se mantêm em Lisboa (60%) e Porto (50%), enquanto notou a subida no aeroporto de Faro: "Estávamos a ter uma adesão na ordem dos 30% e passámos a ter 40/45%".

Sem o objetivo de causar transtornos aos passageiros, a greve dos trabalhadores foi marcada para exigir um contrato coletivo de trabalho para melhorar salários e horários, assim como acesso a infraestruturas como refeitório, balneários e estacionamento, referem.

A ANA-Aeroportos de Portugal reafirmou esta segunda-feira que não houve registo de atrasos nos voos devido à paralisação.

Na semana passada, o presidente da Associação de Empresas de Segurança (AES), Rogério Alves, garantiu à Lusa que tem havido uma "participação sistemática e empenhada no processo negocial, seja com o SITAVA seja com outros sindicatos que representam os trabalhadores do setor".

"A AES tem feito propostas concretas, nomeadamente de aumentos de vencimentos: de 2,4% para 2017 e do [valor do] índice do preço no consumidor em 2018", enumerou o dirigente, explicando que as propostas do SITAVA levariam a um "aumento de 30% para as empresas, o que é absolutamente irrazoável e totalmente inaceitável".

Rogério Alves acrescentou o "empenho" da associação, junto da ANA, empresa que gere os aeroportos, para "conseguir obter alguns ganhos de infraestruturas", nomeadamente estacionamento, balneários e refeitório, o que tem sido exigido pelos trabalhadores.

A AES garantiu ainda que as empresas voltarão ao processo negocial após a greve parcial, que afetou as duas primeiras horas de cada turno.

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