Tinham 18 e 20 anos. Morreram a grafitar comboio

PSP procura amigos dos dois espanhóis e do português que morreram na linha do comboio. Em causa, omissão de auxílio

Os dois espanhóis, um de 18 anos e outro de 20, e o português, de 18, que morreram colhidos por um comboio junto ao apeadeiro de Águas Santas, na Maia, na quinta-feira à noite, tinham à sua espera um carro de matrícula espanhola que já está identificado. O automóvel foi encontrado num bairro próximo do apeadeiro e será propriedade de um familiar de um dos jovens, apurou o DN com fonte da PSP do Porto. Esse homem já foi questionado pela polícia.

A polícia também procurava ontem localizar e identificar dois outros jovens que estariam com as três vítimas e que terão fugido do local do acidente. Alguns relatos deram conta de que esses dois jovens terão retirado pelo menos dois corpos da linha. Correm o risco de vir a ser constituídos arguidos e de responder pelo crime de omissão de auxílio, caso existam indícios fortes de que abandonaram o local do acidente.

Os três jovens graffiters que perderam a vida de forma trágica terão ido para a linha do comboio pintar com spray uma composição que acabara de parar no apeadeiro de Águas Santas. Foram os três colhidos por um comboio que vinha no sentido contrário, que partira de Campanhã (Porto) rumo à Régua.

O DN apurou com fonte da PSP que os dois jovens espanhóis eram de Madrid, enquanto o amigo português residia na Senhora da Hora (Matosinhos). O primeiro espanhol, nascido a 10 de julho de 1995, foi identificado por um familiar. Essa identificação dada à polícia foi verbal. Essa pessoa também identificou o outro jovem espanhol, nascido a 5 de dezembro de 1997.

A investigação criminal da PSP do Porto está a tentar juntar as peças do caso para perceber melhor as motivações dos jovens para irem para aquele local, onde não havia qualquer rede a impedir o acesso aos comboios. A segurança no acesso à linha está, no entanto, garantida por uma passagem superior.

A porta-voz da CP (Comboios de Portugal), Ana Portela, esclareceu que "do lado da linha a questão já é com a Infraestruturas de Portugal". A CP não vai abrir qualquer inquérito ao acidente mas é previsível que o Ministério Público (MP) o faça, uma vez que é esse o procedimento habitual do MP sempre que há um sinistro com mortes.

Além dos familiares, o Consulado de Espanha já foi alertado, tendo a PSP contado com a colaboração das autoridades espanholas para identificar as vítimas.

Graffiti dão prejuízo elevado

O ato de fazer graffiti não autorizados pelas autarquias configura o crime de dano contra o património cuja pena pode ir de três a 15 anos (neste caso, se houver violência no ato). Segundo avançou ontem a RTP, a CP tem prejuízos anuais de 300 mil euros, em média, com os graffiti nos comboios.

"Há já vários anos que é uma questão que nos preocupa", adiantou a porta-voz da empresa ao DN.

Na justiça, antes da atual lei entrar em vigor, o dano em coisa pública ou com utilidade pública (caso das carruagens dos comboios ou do metro) tinha interpretações diferentes. Os desembargadores da Relação tiveram, num caso concreto, o entendimento de que graffiti nas carruagens do metro só seria crime se houvesse destruição ou desfiguração. E esse caso foi arquivado.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.