Quem vai sobreviver à sexta extinção?

Sexta extinção é causado pelos humanos e poderá provocar o desaparecimento de dois terços dos animais selvagens até 2020

A sexta extinção é provocada pelo ser humano e vai levar ao desaparecimento de várias espécies de animais e há quem questione se o homem não será um deles. Ainda há muito por saber sobre este assunto, mas a maioria dos cientistas parece concordar num ponto, segundo o El País: a sexta extinção já começou, mas é reversível.

Animais como leões, tigres, rinocerontes, girafas e elefantes estão em perigo e talvez apenas sejam encontrados em cativeiro no futuro, segundo um estudo publicado na revista Bioscience da Universidade de Oxford.

Esta equipa concluiu que "59% dos maiores carnívoros e 60% dos maiores herbívoros estão em risco de extinção" e que a situação é particularmente dramática nas áreas com maior diversidade de fauna, como na África Subsariana e no sudeste asiático.

No futuro, três quartos das espécies que existem atualmente terão desaparecido para sempre

Desde o ano 1500, foram extintas 322 espécies de animais, segundo uma investigação das Universidades de Stanford, Princeton e da Califórnia, Estados Unidos. Como se o número não fosse assustador o suficiente, o mesmo estudo revela que o ritmo de desaparecimento de espécies é 100 vezes maior desde o início do século XX.

"Se não tomarmos medidas perante a crise atual, os netos dos nossos filhos vão viver num mundo em que três quartos das espécies que existem atualmente terão desaparecido para sempre", alerta Anthony Barnosky, palebiólogo da Universidade de Stanford, Estados Unidos.

O Fundo Mundial Para a Natureza (WWF, sigla em inglês) é mais pessimista. No último relatório bianual Living Planet Report, publicado em outubro, a organização dizia que dois terços dos animais selvagens vão desaparecer até 2020 e dava conta de uma diminuição de 58% dos números de peixes, mamíferos, aves e répteis em todo o mundo.

Também os humanos serão fortemente afetados por esta extinção. Além da escassez de comida ou até meios de subsistência - principalmente os que vivem da pesca ou caça -, alguns cientistas questionam se o ser humano conseguiria sobreviver num mundo com menos animais. Um artigo da National Geographic coloca esta questão à jornalista Elizabeth Kolbert, que escreveu o livro A Sexta Extinção.

"Somos muito adaptáveis", respondeu a jornalista, que ganhou um prémio Pulitzer. Mas "mesmo que sobrevivamos, é mesmo neste mundo que queremos viver?"

O nome do fenómeno - sexta extinção - é uma referência à história do planeta Terra. Em mais de quatro mil milhões de anos, registou-se o desaparecimento em massa de espécies por cinco vezes. A última foi há 66 milhões de ano, quando um meteorito chocou com o planeta azul, causando a morte dos dinossauros e de 80% das espécies terrestres.

Esta extinção é consequência do aquecimento global, mas não só. Fatores como a desflorestação, destruição de habitats naturais, agricultura, caça furtiva, comércio ilegal de espécies e sobreexploração contribuíram para este desfecho. Há ainda a ter em conta a poluição e as doenças, que se propagam entres espécies devido a ações humanas, como viagens com animais para outros locais.

Um exemplo dos efeitos desta extinção é o desaparecimento a olhos vistos das girafas. O mamífero mais alto do mundo pode desaparecer, visto que foi registada uma "diminuição dramática" na população mundial de girafas, entre 36 e 40 por cento, entre 1985 e 2015, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

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