Taxistas propõem tarifa única de 20 euros a partir do aeroporto de Lisboa

Além da tarifa única, os taxistas propuseram a introdução de sistemas eletrónicos de pagamento e faturação nos táxis das grandes cidades

As associações representativas dos taxistas propuseram ao anterior Governo uma tarifa única para táxis a partir do aeroporto de Lisboa de 20 euros, disse o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos.

O responsável, que esteve esta quinta-feira reunido com a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), em Lisboa, falava aos jornalistas depois de o ministro do Ambiente - que tutela a área dos transportes - ter defendido a criação de uma tarifa única para os táxis do aeroporto.

Segundo o presidente da FPT, a proposta de uma tarifa única surgiu há mais de dois anos na sequência de um grupo de trabalho criado pelo então presidente da Câmara de Lisboa António Costa - atual primeiro-ministro - e foi calculada com base em vários pressupostos exigidos pela autarquia.

"O presidente Costa tinha de ter a garantia de que qualquer pessoa que chegasse ao aeroporto de Lisboa e que fosse para qualquer destino da cidade não pagaria nunca mais do que um determinado valor", explicou Carlos Ramos.

Além disso, o valor teria de incluir os suplementos do serviço (como as malas) e o relógio tinha de parar. Por isso, mesmo que serviço durasse mais do que uma hora, o cliente não pagaria mais.

"Fizeram-se as contas ao local da cidade mais longo da praça do aeroporto. O sítio mais longe do aeroporto fica a 14,8 quilómetros. Para garantir qualidade de serviço havia que ser cobrada uma tarifa com o valor de 20 euros. Era o valor de referência para se discutir nas próximas reuniões", disse o presidente da FPT.

Contudo, a proposta dos taxistas nunca foi discutida por decisão do então ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou. Por isso, Carlos Ramos frisou que "essa questão que o senhor ministro agora está a fazer de bandeira não é uma iniciativa do senhor ministro, ela já ocorre há dois anos".

"O que nos preocupa é porque é que ele omitiu as questões que setor apresentou para se modernizar. Fê-lo consciente, para deixar a ideia na opinião pública de que estávamos sempre do contra", frisou.

Além da tarifa única, os taxistas propuseram que os táxis deveriam ter no máximo 10 anos de vida, bem como a introdução de sistemas eletrónicos de pagamento e faturação nos táxis das grandes cidades.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.