TAP chama seis estrelas Michelin para assinar refeições de bordo

Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Miguel Laffan, Rui Paula, Rui Silvestre e Vítor Sobral assinam novos menus da TAP. Primeiras refeições começam a sair em setembro e serão servidos tanto na classe executiva como na económica

A partir de setembro, comprar um bilhete da TAP vai dar entrada para uma refeição de estrelas Michelin. Não importa a classe em que se viaja nem a distância do destino. A companhia aérea portuguesa quer pôr portugueses e estrangeiros a "provar as estrelas" que representam o melhor da gastronomia portuguesa.

Ao todo, entram seis chefs para o programa Taste the Stars, que começa a ganhar forma ainda neste mês. O protocolo já foi assinado e leva a bordo refeições pensadas por Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Miguel Laffan, Rui Paula e Rui Silvestre, que se juntam ao chef residente da TAP, Vítor Sobral.

"O meu primeiro trabalho na TAP foi tirar do menu tudo o que era industrializado. Consegui. Hoje quando se aquecem as refeições na cabina não cheira a comida industrializada, e isso foi uma vitória", contou ao DN/Dinheiro Vivo. "Depois fui ganhando mais experiência e fazendo algumas inovações. Qual é a grande mais valia deste projeto: passamos a ter mais cinco pessoas a ajudar a criar novos pratos. E quem vai beneficiar é o passageiro."

Até ao final do mês, Fernando Pinto, presidente executivo da companhia aérea, acredita que os menus estarão fechados. Depois é pôr mãos à obra para que as primeiras refeições possam sair logo em setembro. Haverá menus assinados por cada um dos chefs, em rotação mensal. Ainda não é certo quem será o estreante do programa, mas, ainda que em segredo, já se pensam as refeições.

"Ideias já tenho algumas, mas não vou poder revelar. Vão ter de viajar para provar", afirmou ao DN/Dinheiro Vivo José Avillez, à margem da assinatura do protocolo que aproxima a elite dos cozinheiros dos passageiros da TAP. O dono do Belcanto e do Bairro do Avillez vai representar a região de Lisboa e tem como produtos de excelência o peixe e o marisco. Mas sabe que nem todos os produtos são bons para servir longe das cozinhas que os confecionam.

"Há muitos desafios. O primeiro é, desde logo, os ingredientes pensando na vida nesse produto, nos tempos de espera. Portugal é conhecido pelo seu peixe e pelo marisco e são os dois produtos que dificilmente se servem com grande qualidade. Temos de escolher produtos mais simples, não inventar demasiado, para conseguirmos o mais importante, que é o sabor", detalhou Avillez.

Vítor Sobral, que já conta com 15 anos de refeições na TAP, completa: "O grande desafio é, com custos controlados, conseguir fazer uma boa refeição. Não lhe vou dizer que come um bacalhau tão bom a bordo como come no meu restaurante, mal seria, mas nota-se que se o bacalhau for bem desenhado, a formação do catering for boa e o aquecimento do prato seguir todos os protocolos, vai-se comer um bom bacalhau."

Da experiência de muitos menus da TAP, lembra que "o mais importante é definir a proteína com que vamos trabalhar" porque "a partir daí começam a surgir as ideias".

E, alerta, nem todos os produtos são bons para servir em altitude. Quais? "Produtos muito delicados, como linguado ou pescada. Funciona muito bem pato, bochechas, polvo, peixe com gordura, tipo cherne ou garoupa, isso funciona muito bem."

Os aviões da TAP transportaram no ano passado 11,7 milhões de passageiros, que consumiram a bordo 14 milhões de refeições, 175 mil litros de cerveja e 1,2 milhões de garrafas de vinho. A companhia quer agora ser uma montra privilegiada para os produtos nacionais, entregando o cartão-de-visita gastronómico em cada refeição. "Queremos que haja uma paixão dos turistas por Portugal", afirmou ontem Fernando Pinto, lembrando que o novo leque de chefs ajudará a tornar menos secreto o destino Portugal.

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