Setúbal vai consolidar a Arrábida para reabrir Pousada de São Filipe

Forte é um dos principais pontos de atração de Setúbal, mas está fechado desde 2014 devido a problemas de instabilidade. Câmara avança com projeto de três milhões de euros

A Câmara Municipal de Setúbal vai meter mãos à obra e consolidar a encosta da serra da Arrábida para que a Pousada do Forte de São Filipe possa reabrir. Aquele que é um dos principais pontos turísticos da cidade está fechado desde 1 de novembro de 2014 devido a problemas de instabilidade. Mas o projeto de consolidação previsto para a encosta da Arrábida (nos concelhos de Setúbal e Palmela), que deverá ficar concluído até final do próximo ano, alimenta melhores perspetivas.

No protocolo já celebrado com organismos públicos, a autarquia pede, para já, que seja permitido o acesso de visitantes às instalações e a abertura do bar da pousada. Há meses que o município contesta o encerramento do forte ao público e até já sugeriu ficar com a sua gestão.

O alerta vermelho foi acionado em 2011 pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). A observação realizada pelos técnicos nas encostas dos castelos de São Filipe (Setúbal) e de Palmela identificou um cenário de "elevado risco". O relatório admitia a ocorrência de "um acidente particularmente grave, com eventual perda de vidas humanas e de equipamentos, no caso de se verificar um sismo ou um período de chuvas intensas e prolongadas". Era pedida a realização de obras de estabilização para devolver a segurança. Agora chegou a resposta. Ambas as autarquias vão avançar com um projeto de 5,8 milhões de euros para consolidar a serra da Arrábida até final de 2017.

A Câmara de Setúbal já aprovou um protocolo de cooperação com diversas entidades, incluindo o Estado, com vista às obras de estabilização da encosta do forte, classificado como Monumento Nacional, onde funcionava a pousada sadina encerrada desde 1 novembro de 2014 pelo Grupo Pestana, precisamente por causa de problemas de instabilidade. A fortificação estará ameaçada por aberturas no pavimento de algumas áreas situadas ao lado da pousada e em alguns túneis interiores, segundo avançou a empresa gestora na altura do encerramento.

"A intervenção passa por fazer furos horizontais em toda a encosta de frente para o rio, com máquinas semelhantes às utilizadas na perfuração de solos com petróleo. Depois esses buracos serão cheios de ferro e betão. É um trabalho de engenharia", explica ao DN fonte da presidência da autarquia, ressalvando que só depois de abrirem os furos é que os técnicos poderão avaliar a real dimensão da "instabilidade" que se arrasta há várias décadas, havendo o registo de um deslizamento de terras, na escarpa sudeste, em 1969.

Esta intervenção foi possível na sequência de um aviso lançado pela Autoridade de Gestão do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - que abrangeu também a Câmara de Palmela - para que fosse apresentado um projeto estrutural que evite acidentes graves e catástrofes. A câmara sadina apresentou a candidatura a 28 de janeiro com vista ao financiamento da obra, orçada em três milhões de euros. O Estado, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, comparticipa a realização da obra, "incluindo todos os custos inerentes à execução", segundo refere o documento.

"Para já, vamos consolidar a encosta. Só numa segunda fase é que iremos consolidar o edificado", diz a mesma fonte do município, que pretende ver contemplado o funcionamento do serviço de bar da pousada, permitindo o acesso de visitantes às instalações do Forte de São Filipe. Há algum tempo que a presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, assumiu ao DN que o forte não deveria estar encerrado ao público e que via com bons olhos a possibilidade de a autarquia "administrar" aquele património com vista sobre Troia.

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