Sem ortopedistas, hospital envia doente de Tavira para Faro, depois Portimão e... Beja

Doente ia a caminho de Faro, transportado pelo INEM, mas a meio do caminho a ambulância recebeu ordens para ir para Portimão. E depois foi enviado para Beja, a cerca de 150 km

Um homem que sofreu um acidente de bicicleta esta sexta-feira, em Tavira, teve de ser enviado para o hospital de Beja, devido à falta de ortopedistas nas duas unidades do Centro Hospitalar do Algarve (CHA). O doente ia a caminho de Faro, transportado pelo INEM, mas a meio do trajeto a ambulância recebeu ordens para ir para Portimão. E ao chegar ao hospital percebeu-se que também não havia especialistas e que o homem tinha de ser enviado para Beja, a cerca de 150 km.

O presidente do Conselho de Administração do CHA confirma que o centro não tinha ortopedistas disponíveis, uma vez que os dois que deviam estar ao serviço em Portimão ficaram doentes. Segundo Pedro Nunes, em 2013 a Unidade Hospitalar de Portimão dispunha de sete ortopedistas, no entanto, agora só tem três - incluindo os dois que deveriam estar de serviço esta sexta-feira.

"O Algarve tem uma insuficiência de recursos humanos gravíssima, consequência da pressão exercida sobre os médicos. Estes chegam a trabalhar 24 horas seguidas, para quando faltar em Faro não faltar em Portimão", assume o presidente.

Já em novembro, a falta de ortopedistas na região obrigou o CHA a enviar alguns doentes para Lisboa, para o Hospital de Santa Maria.

O administrador do CHA lembra que propôs um serviço único de ortopedia no Algarve, com os médicos de Faro e Portimão, para minimizar o problema, mas que a Câmara de Portimão interpôs uma providência cautelar contra a medida. Pedro Nunes diz ainda que em outubro foi pedida uma autorização para contratar prestadores externos, que ainda não teve resposta. O médico espera que "o ministro da Saúde resolva o problema o mais rapidamente possível".

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