Segurança apertada contra tráfico de pessoas e imigração ilegal

SEF e GNR vão fazer um levantamento dos concelhos alentejanos onde há máfias de exploração laboral de estrangeiros

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Guarda Nacional Republicana (GNR) estão a fazer um levantamento de concelhos no Alentejo e em outras regiões agrícolas do país que fazem parte das rotas da imigração ilegal, que abastece de trabalhadores clandestinos os campos com colheitas sazonais. Esses dados vão ser entregues no Ministério da Administração Interna (MAI) em breve. Depois o MAI entrará em contacto com as autarquias para propor a assinatura de contratos locais de segurança, soube o DN junto de fonte oficial do ministério.

O primeiro contrato com este objetivo, o de Serpa (no distrito de Beja), teve resultados concretos no combate a esta criminalidade, devido à cooperação da GNR, SEF, Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), Autoridade Tributária, serviços de saúde, câmara Municipal de Serpa e juntas de freguesia.

Na freguesia de Pias, no concelho de Serpa, a população de 2800 habitantes sofreu um acréscimo considerável com os "300 a 400 romenos que vieram para a apanha da azeitona" e que vivem "aos 20 e 30 em cada casa, sem condições", como relatou ao DN o presidente da junta, José Augusto Moreira. O autarca frisou que a fiscalização por parte das autoridades aumentou e que "têm feito visitas às casas desses imigrantes", além disso andam mais atentos ao que se passa nos campos. Os estrangeiros que têm sido detetados naquele concelho alentejano a trabalhar são trazidos para Portugal por redes de imigração ilegal e tráfico de seres humanos.

Pias é palco de uma grande contradição. "Os nossos emigram para a Suíça e para a França, para a apanha dos espargos e dos morangos, porque querem um salário normal, e para Pias vêm romenos, alguns sem qualquer contrato de trabalho", lamentou José Augusto Moreira. Nos campos agrícolas do concelho de Serpa e, concretamente, na atividade sazonal da apanha da azeitona, o SEF identificou 168 estrangeiros e 14 portugueses em situação ilegal, entre novembro de 2016 e janeiro de 2017. Nos imigrantes ilegais detetados havia, por exemplo, indianos (61), naturais do Bangladesh (42), paquistaneses (28) e romenos (23).

No período referido, a GNR fez 42 operações no concelho de Serpa, quase o dobro das realizadas no ano anterior (25), identificou e deteve 102 indivíduos pelos crimes de imigração ilegal e tráfico de seres humanos - em 2015-16 tinha detido apenas 11 - e recuperou 21 mil quilos de azeitona (no ano anterior tinha recuperado 5800).

Por trás das situações de exploração laboral nos distritos de Beja e Portalegre estão grupos itinerantes de criminosos. Ainda assim, a Câmara Municipal de Beja, contactada pelo DN, não pensa assinar um contrato local de segurança.

A GNR de Évora já tem feito ações específicas nas zonas de olival, em colaboração com o SEF e com a ACT, e tem feito "muitas detenções por causa do furto de azeitona", referiu o comandante do comando territorial, coronel Maia.

Ler mais

Exclusivos