Se vir uma pen USB a sair da parede, ligue-se com cuidado. É uma Dead Drop

O projeto tem seis anos e entretanto espalhou-se pelo mundo todo. Há mais de 1600 Dead Drops, e aparecem mais todos os dias

Dead Drops. O nome é um antigo termo usado no mundo da espionagem, para falar de esconderijos urbanos onde um espião podia deixar documentos ou objetos, ocultos na cidade, para outro espião que conhecesse o esconderijo os poder ir buscar discretamente. O artista Aram Bartholl, residente em Berlim, decidiu que a ideia merecia ser atualizada para o século XXI. E assim nasceram as Dead Drops enquanto pens USB, com mais ou menos memória, inseridas nas paredes ou passeios das cidades para qualquer pessoa se poder ligar e deixar ou levantar segredos.

É um projeto artístico que nasceu em 2010 e não dá mostras de abrandar. As primeiras pens foram instaladas pelo próprio Aram Bartholl, mas após este ter publicado instruções para instalar uma Dead Drop, elas espalharam-se por todos os continentes. Ao momento da escrita deste artigo, existem 1640 em todo o mundo, disponibilizando coletivamente mais de 12 Terabytes de espaço de armazenamento.

Em Portugal, ainda só existe uma pen relacionada com este projeto. Está no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra, onde foi colocada em 2011. Tem dois gigabytes de espaço, mas para saber o que a ocupa será preciso ir até lá com um computador.

É essa a atração das Dead Drops, mas também pode ser um risco. As próprias perguntas frequentes do site do projeto alertam para a possibilidade de que as pens USB do projeto podem conter vírus ou outro software malicioso. "Tenham cuidado! Protejam o sistema! Usem um computador virtual! Ou peçam ao vosso amigo para experimentar primeiro ;-)", lê-se.

Quando uma Dead Drop é instalada, com cimento num buraco na parede, contém apenas o manifesto do projeto e um ficheiro que explica como funciona. Daí em diante, os utilizadores podem fazer tudo o que quiserem com ela - apagar todos os ficheiros, carregar novos, ou simplesmente copiá-los para o computador.

Numa entrevista, em 2012, ao site de artes Hyperallergic, Aram Bartholl explicou a ideia por detrás do projeto: "O Dead Drops começou, para mim, com uma imagem de uma pen numa parede, e depois o gesto de chegar, com o portátil, e ligá-lo ao edifício, à cidade. (...) Tens de ir ao sítio, não sabes o que está lá, é perigoso porque pode haver um vírus - tem todas estas implicações".

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