Rui Nunes desistiu da candidatura à Ordem Médicos/Norte

O presidente da Associação Portuguesa de Bioética desistiu da sua candidatura à presidência da Ordem dos Médicos/Norte para se dedicar ao "exigente desafio" que é a proposta de criação da Declaração Universal de Igualdade de Género da UNESCO.

"A decisão foi de não concorrer à Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, não quer dizer que não integre algum órgão, é provável que venha acontecer, mas não tenciono de facto concorrer", afirmou hoje Rui Nunes, em declarações à Lusa.

O presidente da Associação Portuguesa de Bioética disse que irá dedicar-se à elaboração da Declaração Universal de Igualdade de Género da UNESCO, por considerar ser "um projeto que vai ser muito exigente em termos de tempo e dedicação".

"Creio que poderei ser mais útil, quer para o país, quer à sociedade, quer a própria medicina nessa trajetória do que num espaço mais confinado", sublinhou.

Face a este compromisso, Rui Nunes considerou que "neste momento não seria adequado não corresponder a esse apelo para liderar este processo. Creio que faz sentido liderar esta causa e acompanhar a ordem dos médicos de outra forma que se entender conveniente".

O responsável admite ficar com "uma tarefa não executiva" na Ordem dos Médicos, por ser "menos consumidora de tempo e de recursos", para que se possa "dedicar a esta causa internacional".

A proposta de criação da Declaração Universal de Igualdade de Género da UNESCO, subscrita por uma equipa liderada pelo médico e professor catedrático Rui Nunes, venceu um concurso público internacional em que participaram 120 países, devendo a primeira versão ser conhecida já no final deste mês.

Em fevereiro deste ano, o presidente da Associação Portuguesa de Bioética, impulsionador do Testamento Vital e primeiro presidente da Entidade Reguladora da Saúde, anunciou a sua candidatura à presidência da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos para o triénio 2017-2019, cujas eleições estão marcadas para 19 de janeiro do próximo ano.

Na corrida à presidência da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos mantêm-se o diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar do Porto, António Araújo, e Sara Santiago, especialista em Medicina Geral e Familiar.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.