Responsáveis de saúde da área de Lisboa pedem demissão

Em causa estará o caso do homem de 29 anos que morreu devido à falta de um equipa de neurocirurgia de urgência ao fim de semana

Três responsáveis da saúde da área de Lisboa pediram demissão. A decisão terá sido tomada devido à morte do homem de 29 anos que foi transferido para o Hospital de São José, onde foi obrigado a aguardar uma cirurgia a um aneurisma cerebral, por falta de equipa completa para realizar neurocirurgia durante o fim de semana.

O Ministério da Saúde anunciou que vai abrir uma investigação a este caso, tendo solicitado ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central a abertura de um inquérito. Foi ainda pedido a abertura de um processo de inquérito à Inspeção Geral das Atividades em Saúde, para avaliar eventuais responsabilidades.

Luís Cunha Ribeiro, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Teresa Sustelo, do Centro Hospitalar de Lisboa Central, e Carlos Martins, do Centro Hospitalar de Lisboa Norte apresentaram a demissão. Segundo informações recolhidas pelo DN, as demissões ficam a dever-se ao facto de nenhum dos hospitais em causa ter conseguido responder à situação clínica do doente.

Na comunicação aos jornalistas, no Ministério da Saúde, Luís Cunha Ribeiro adiantou que "foram tomadas medidas" para que situações análogas não voltem a acontecer. "A partir de agora, foi autorizado que passe a haver resposta para situações deste género. Hoje, doentes em situações semelhantes não terão o mesmo destino do que ocorreu há uma semana", declarou.

Os presidentes dos centros hospitalares Lisboa Central e Lisboa Norte, que também se demitiram e estavam presentes, não fizeram qualquer declaração. Luís Cunha Ribeiro lamentou que, "nos últimos anos", não tivesse havido recursos humanos de forma a impedir a morte de pessoas por falta de assistência.

Um homem morreu no dia 14 de dezembro no Hospital de São José após três dias internado a aguardar uma cirurgia a um aneurisma cerebral. Ao DN, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), ao qual pertence o Hospital de São José, confirmou que a prevenção aos fins de semana de neurocirurgia vascular está suspensa desde abril de 2014. Como a prevenção ao fim de semana é de regime voluntário, alguns especialistas optaram por deixar de a fazer, devido à alteração dos regimes remuneratórios.

Embora existam dois neurocirurgiões no Hospital de São José 24 horas por dia, a neurocirurgia de urgência de aneurismas é "altamente especializada", disse ao DN porta-voz do CHLC, e requer uma equipa "especialmente habilitada" para a realizar "com resultados satisfatórios".

Faz parte das recomendações internacionais e orientações de boa prática que estes doentes recebam tratamento nas primeiras 24 horas após a rutura, para evitar uma segunda hemorragia e com isto reduzir o aumento do risco de morte e de sequelas graves.

Exclusivos