Refugiados reaprendem a desfrutar da vida, "um dia de cada vez"

Dos 43 imigrantes que já passaram pelo programa de acolhimento, desde há um ano, mantêm-se 20

Aesha e Bashar conseguiram voltar a sorrir. Fazem-no ao falar da "simpatia" dos vizinhos, da "fantástica" professora de Português e dos "amigos" que os três filhos já fizeram na escola. Aos poucos, a felicidade volta ao quotidiano deste casal de advogados sírios, depois da tormenta dos últimos anos, que os fez abandonar Rakka, a capital do autoproclamado Estado islâmico, e arriscar a própria vida e a dos filhos ao longo de uma já tristemente célebre rota de refugiados que inclui a entrada clandestina na Turquia e uma travessia de barco até à Grécia, onde ficaram sete meses até serem encaminhados para Portugal.

Recebida pelo programa Guimarães Acolhe - um consórcio que liga a câmara municipal, o Conselho Português para os Refugiados e um conjunto de instituições sociais do concelho -, esta família síria está entre os refugiados que atualmente tentam refazer a vida na cidade que viu Portugal nascer. Até à chegada, ontem, dos primeiros 24 elementos da etnia yazidi (ver texto principal), tinham passado já por este programa vimaranense 43 refugiados, dos quais se mantêm 20 (os outros deixaram o país, ao abrigo do abandono voluntário, a maioria para reencontrarem familiares noutros pontos da Europa).

A família de Aesha e Bashar é uma exceção no perfil-tipo dos imigrantes recebidos em Guimarães, como frisa Sandra Rodrigues, uma das técnicas que acompanham a integração destes refugiados na comunidade local. "Na maioria, são casos de jovens isolados, do género masculino, com escolaridade básica e média", refere ao DN.

Casos como o de Mohammed Keneby, de 22 anos, aspirante a futebolista e "fã de Cristiano Ronaldo" que escapou às perseguições étnicas e religiosas na República Centro-Africana, mas perdeu o pai e um irmão, enquanto a mãe teve de voltar para o Senegal. Ou como o de Michael, enfermeiro eritreu de 29 anos que fugiu à repressão militar.

Em Guimarães há um ano, Mohammed e Michael estão já a trabalhar como empregados de restauração. Aesha e Bashar, que chegaram apenas em novembro passado, ainda esperam que se abra uma porta profissional, mas nem isso os impede de voltar a sorrir em segurança.

Em quase todos os casos, Portugal (e Guimarães) surgiu como um destino inesperado: Michael pensava na Holanda, onde moram alguns irmãos; Aesha e Bashar apontavam à Suécia, país já com uma considerável comunidade síria. Mas, agora, garantem estar gratos pela forma como têm sido acolhidos num país onde voltaram a aprender a "viver" e não apenas sobreviver. Mesmo que os planos ainda se limitem a "um dia de cada vez".

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