Refugiados não agrediram sexualmente mulheres no ano novo. Foi invenção

Polícia investiga pessoas que inventaram que 50 homens árabes assaltaram e assediaram várias mulheres

As autoridades alemãs estão a investigar duas pessoas que acusaram migrantes árabes de terem agredido sexualmente várias mulheres em Frankfurt na noite da passagem de ano. A história era falsa e "sem fundamento", como afirmou a polícia alemã, mas ainda assim foi divulgada por vários jornais e meios de comunicação.

As duas pessoas investigadas contaram ao jornal alemão Bild que 50 homens árabes, que alegadamente viviam num abrigo para refugiados em Hesse, foram a um restaurante em Fressgass, Frankfurt, assaltaram e agrediram sexualmente várias mulheres, segundo o Independent.

A história do Bild, contada num artigo que foi publicado este mês e entretanto foi apagado, era confirmada por apenas duas pessoas: o chef do restaurante e uma mulher de 27 anos. A mulher disse na entrevista que foi apalpada pelos homens "em todo o lado".

Vários jornais e blogues recontaram estes relatos, incluindo o Breitbart News, o site gerido até pouco tempo por Steve Bannon, conselheiro da Casa Branca.

Este terça-feira, a polícia alemã afirmou ao jornal Frankfurter Rundschau que as alegações "não tinham qualquer fundamento", até porque uma das vítimas da alegada agressão sexual não estava em Frankfurt na altura do crime.

"Depoimentos de alegadas testemunhas, clientes e funcionários levantaram grandes dúvidas sobre as versões dos eventos apresentada", continuaram as autoridades.

"Uma multidão de refugiados não foi responsável por nenhum ataque sexual em Fressgass na passagem de ano", concluiu a polícia.

O editor do Bild, Julian Reichelt, pediu desculpas pelas redes sociais pelo jornal ter publicado uma história falsa. "Pedimos desculpa pelo nosso trabalho. Em breve vou anunciar quais serão as consequências para o Bild", escreveu Reichelt.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.