Quintas do Tejo e do Alentejo mostram as novidades sem esquecer os ex-líbris

Herdade do Esporão quer produzir só vinhos biológicos em três anos e Quinta da Alorna prepara vinho especial para os 300 anos da sua existência. Quinta da Ravasqueira é um produtor recente, mas já dá cartas no enoturismo. E todos apostam no vinho reserva.

O Alentejo é uma das regiões vinícolas mais apreciadas do país, onde a modernidade e a tradição convivem em harmonia. A Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz - segunda paragem da TAP Wine Tour, que está a dar a conhecer regiões vinícolas a especialistas de vários países -, é um desses exemplos: uma das mais importantes e tradicionais casas de vinho nacional aposta tudo em conseguir uma produção totalmente biológica (para a marca Esporão) nos próximos três anos, anuncia o diretor de enologia, David Baverstock. Neste momento, a marca tem já um branco e um tinto produzidos totalmente em modo biológico.

"Para já, é uma vontade de querer ser mais sustentável e respeitar mais os solos e a natureza. Mas queremos acreditar que a qualidade do vinho também vai melhorar", explica David Baverstock, um australiano em Portugal há 35 anos. A herdade, que produz vinhos desde 1973, tem visto o seu empenho reconhecido. Ganhou, em 2014, os European Business Awards for the Environment, na categoria de produtos e serviços.

Mas ao mesmo tempo que procura um futuro mais sustentável, o Esporão não deixa cair as suas joias da coroa, que também apresentou aos jornalistas: o reserva tinto e o reserva branco. O primeiro elegante e intenso, o segundo frutado e equilibrado.

A marca Esporão pode ser encontrada em lojas e restaurantes de mais de 50 países.

No Tejo, a Quinta da Alorna (Almeirim) orgulha-se dos seus brancos, já premiados, mas antecipa que está a preparar um tinto especial para os 300 anos da casa, em 2023. Até lá ganha fama com o branco Marquesa de Alorna Grande Reserva, escolha da imprensa dos prémios Escolhas. Tanto o reserva branco como o tinto têm uma particularidade: só saem em anos cuja qualidade justifica.

Também aqui a sustentabilidade é uma aposta forte, principalmente no uso de energias renováveis, explica Pedro Lufinha, diretor-geral da Quinta da Alorna. Tal como a internacionalização: metade dos 1,8 milhões de garrafas produzidas anualmente são para exportar.

No total, 28 países oferecem vinhos Quinta da Alorna, propriedade da Marquesa de Alorna, uma mulher à frente do seu tempo.

Além dos clássicos tinto, branco e rosé, a Quinta da Alorna destaca na sua produção a Colheita Tardia, que dá um toque licoroso a este vinho de cor rubi com apontamentos de especiarias e erva menta.

O outro destaque vai para o Quinta da Alorna Abafado 5 anos. De cor aloirada, os seus apontamentos de frutos secos acompanham bem com outro ex-líbris nacional, o pastel de nata, sugere Verónica Oliveira, responsável da qualidade da Quinta.

Ainda jovem na liga dos produtores de vinho, a Quinta da Ravasqueira, em Arraiolos, já entrou para a elite. Por ano, são produzidas dois milhões de garrafas, nesta quinta alentejana, que até 2002, quando começou a produzir vinho, era essencialmente conhecida pela criação de cavalos lusitanos.

"Era a nossa principal atividade. Agora também temos muito orgulho nos nossos vinhos e no nosso enoturismo", sublinha Mário Gonzaga, do enoturismo da Ravasqueira.

Nos 45 hectares de vinha são cultivadas 16 castas que compõem os vinhos da marca. Entre eles está o recente Reserva da Família branco, lançado há duas semanas. Recente é também a mudança de logo; é o rebrand da marca.

Quem visita a Ravasqueira, cujo enoturismo funciona todos os dias da semana, frisa Mário Gonzaga, também pode visitar o museu de coches propriedade da família. São 37 exemplares, entre modelos históricos, únicos e típicos do Alentejo. O responsável do enoturismo lembra ainda que "no restaurante servimos comida tipicamente alentejana que combinamos com os nossos vinhos, em harmonia".

A jornalista viajou a convite da TAP

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