Quem quer ser sócio do chef Nuno Mendes no novo Viajante?

Assume-se como embaixador de Portugal em Londres, onde quer reabrir o Viajante, que lhe valeu uma estrela Michelin

"É um projeto de coração, que fala das minhas experiências, das viagens e das minhas origens em Portugal. Pretende levar as pessoas numa viagem de sabores, texturas e emoções." É com uma enorme paixão que o chef Nuno Mendes, cozinheiro português estabelecido em Londres, fala do restaurante o Viajante, que pretende reabrir nas margens do rio Tamisa, com recurso a uma campanha de crowdfunding. Através da plataforma luso-britânica Seedrs, os interessados podem tornar-se sócios do restaurante detentor de uma estrela Michelin com participações a partir das 10 libras (14 euros). Para que o sonho se torne realidade, o objetivo é angariar 2,4 milhões de euros, o correspondente a 33% do capital social da empresa, e reabrir o espaço no outono de 2016.

Desde que o Viajante fechou portas, no início de 2014, Nuno Mendes, 42 anos, não tem parado de pensar como fazer o projeto renascer. Estava inserido no Hotel Town Hall, no Leste de Londres, e não foram precisos muitos meses - apenas oito - até ganhar a sua primeira estrela Michelin. Manteve-a até ao encerramento do restaurante, inserido na lista dos cem melhores do mundo. Apesar do enorme sucesso, Nuno Mendes sentiu que, no espaço onde estava, o Viajante "não podia andar mais para a frente". Tinha de se tornar um destino por si só. "De classe mundial, à beira-rio."

Quem conhecia o projeto antigo falava dele "com saudade e paixão". Daí que Nuno Mendes tenha pensado em "dar às pessoas a possibilidade de participarem, de fazerem parte do sucesso" do novo restaurante. Não têm de ser grandes investidores, destaca. Qualquer anónimo pode participar com apenas 10 libras. E esse investimento terá retorno. "Se houver expansão, o crescimento da marca fará, naturalmente, crescer o valor que foi investido pelas pessoas."

Dependendo do montante, os "sócios" podem usufruir de condições de excelência como garantia de reservas, refeições gratuitas ou convites VIP. "Passam a ter uma voz no projeto, enquanto eu tenho a responsabilidade de os informar sobre o que estou a fazer", explica. Mas a preferência, assume, é que o investimento seja feito por pessoas "que realmente acreditam no projeto e no que tenho feito em Londres".

Depois da Biologia Marinha

Em 2006, Nuno Mendes abriu o seu primeiro restaurante na capital inglesa: Bacchus, em Hoxton. Posteriormente, decidiu abrir as portas da sua casa, convidando candidatos a chef de todo o mundo para cozinharem no The Loft Project. Em 2010 inaugurou o Viajante e, no ano seguinte, o Corner Room, na mesma linha, mas mais informal. No seguimento do encerramento do primeiro, assumiu o cargo de chefe executivo do Chiltern Firehouse. "É bastante conhecido em Londres, mas é inspirado nos 15 anos em que estive nos Estados Unidos. Não celebra as raízes." Essa será uma das particularidades do Viajante.

A paixão pela cozinha começou quando ainda era muito jovem, "mas naquela altura não sabia que seria possível seguir esta carreira". Optou por um curso de Biologia Marinha, nos Estados Unidos. Via programas de culinária e o gosto pela arte gastronómica não parava de crescer. Ao fim de dois anos, percebeu que podia seguir o sonho de uma carreira na cozinha. E, desde aí, não tem parado de explorar a arte. Quinze anos depois de ter saído de Portugal e de se ter formado na California Culinary Academy, em São Francisco, decidiu voltar à Europa. Admite que "estava a ficar muito americano". Reaproximou--se dos amigos que tinha deixado em Portugal, das suas origens.

Foram precisamente as raízes portuguesas que o inspiraram no seu mais recente projeto - a Taberna do Mercado -, que inaugurou já este ano. Aí, o chef divulga "o que Portugal tem de fantástico", como o vinho, os laticínios ou o azeite.

Investimento é bem-vindo

Nuno Mendes acredita que "existem muitos portugueses orgulhosos do trabalho" que tem desenvolvido em Londres. "Acabamos por ser um pouco embaixadores do país e, por isso, queremos representá-lo bem e dar-lhe visibilidade." Por isso, o chef espera, na campanha de crowdfunding, poder contar com a participação de portugueses interessados em fazer sociedade consigo. A escolha da Seedrs não foi ao acaso, sublinha: tem escritório em Portugal e foi co-fundada por um português.

Para o chef, a Metropolitan Wharf, uma zona de armazéns junto ao rio, de estilo Vitoriano, revitalizada, em Wapping, apresenta-se como o local ideal para acolher o novo Viajante.

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