Quatro arguidos em prisão preventiva no âmbito da operação "African car" da GNR

17 pessoas foram detidas, mas só quatro ficaram presas. Desmantelavam e enviavam automóveis para o continente africano

O Tribunal colocou em prisão preventiva quatro dos 13 arguidos detidos na segunda-feira pela GNR por suspeitas de ligação a uma rede internacional de furto, desmantelamento e envio de veículos para África, que operava sobretudo na Grande Lisboa.

Segundo avança a Procuradoria-geral distrital de Lisboa, na sua página na internet, 12 dos arguidos estavam "fortemente indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, furto, recetação e tráfico de estupefacientes de menor gravidade".

"A quatro dos arguidos foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva, ficando os demais arguidos sujeitos a Termo de Identidade e Residência", acrescenta a PGDL.

A investigação continua na primeira secção do DIAP de Sintra, coadjuvado pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR.

A GNR, em comunicado emitido na quarta-feira, revelava que tinha detido 17 pessoas no âmbito da denominada operação 'African Car', durante a qual foram realizadas 15 buscas domiciliárias, 16 não domiciliárias (cafés, lojas de peças, bares, oficinas, sucateiras) e cumpridos 21 mandados de busca a veículos.

Das 17 detenções efetuadas, 14 foram por suspeitas de furto qualificado, duas por permanência ilegal no território nacional e uma por posse de arma proibida.

No decurso da operação, os militares da GNR apreenderam cerca de uma centena de chaves de automóvel, 47 documentos de identificação de veículo, oito veículos ligeiros, três motociclos, centenas de documentos, seis canhões de automóveis e cinco chapas de matrícula.

Foi ainda apreendido um cartão de segurança privada, 188 doses de haxixe, 17 computadores, 42 telemóveis, 31 cartões SIM, uma caçadeira de canos serrados, uma pistola 6.35 milímetros, 18 cartuchos, uma soqueira, um aerossol de defesa, dezenas de peças auto, ferramentas e autorrádios, cinco notas falsas de 20 euros e 1.734 euros em numerário.

O comunicado indica que foram aplicadas contraordenações no valor global de 232.000 euros, oito delas por incorreta gestão de resíduos, seis referentes a matéria de condições no trabalho, três por falta de licenciamento e uma para suspensão da atividade.

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