Quando o plástico é o inimigo. A guerra às palhinhas já chegou a Portugal

Leves e pequenas, muitas palhinhas acabam nas praias, sendo, muitas vezes, ingeridas pelos animais marinhos. Só os americanos usam 500 milhões diariamente. Straw Patrol é um projeto português que alerta para o seu uso

Só em "situações extremas" são usadas palhinhas de plástico no Surfers Lodge Peniche. John Malmqvist, o sueco responsável pelo alojamento ecológico, decidiu banir o seu uso. "O princípio é não usar palhinhas. Se a pessoa fizer questão, usamos de metal. Só quando não temos em quantidade suficiente ou pedem especificamente de plástico - para as crianças, por exemplo - é que abrimos uma exceção", conta ao DN Jéssica Batalha.

Lá fora, há campanhas a decorrer contra o uso dos tubos finos de plástico. The Last Plastic Straw ("a última palhinha de plástico", em português) é o nome de um projeto que nasceu na Califórnia, nos EUA, e se tornou num movimento global - difundido através da hashtag #RefusePlasticStraws - para alertar para o problema do plástico, que vai parar aos aterros, oceanos, praias. A ideia é pedir as bebidas "sem palhinhas" e incentivar os donos dos restaurantes e bares a fornecê-las apenas quando solicitadas ou a usar soluções reutilizáveis. Por cá, o projeto antipalhinhas Straw Patrol também alerta para a problemática.

As palhinhas - que muitas vezes surgem envolvidas por um outro plástico - são dispensáveis na maior parte das bebidas e para a grande maioria das pessoas, mas são bastante usados por cadeias de fast food, bares, cinemas. Só nos Estados Unidos são usadas 500 milhões de palhinhas diariamente. E há uma parte muito significativa que não é colocada nos contentores da reciclagem.

De acordo com os mentores do The Last Plastic Straw, 80% dos detritos encontrados no mar têm origem na terra e 80 a 90% do lixo marinho é feito a partir de plástico. "Os plásticos devem ir para a reciclagem ou para aterros e, nesses casos, o problema fica mais ou menos resolvido. Mas quando são lançados no ambiente, além de poluir os solos, são levados pelo vento, chegam às linhas de água e acabam no mar", alerta João Branco, presidente da Quercus. É certo que "não são as campanhas contra as palhinhas que vão resolver o problema do plástico", mas servem "de alerta para a população".

João Branco lembra que "os plásticos estão a causar vários problemas". De acordo com um relatório do Fórum Económico Mundial, tudo indica que, em 2050, se encontre mais plástico no mar do que peixe. "Além do problema dos microplásticos, qualquer plástico no mar se fragmenta em pedaços mais pequenos que se transformam em nanoplásticos, concentradores de poluentes na água. Já há estudos que indicam que estes nanoplásticos estão nas células de animais marinhos". Além disso, ao serem ingeridas pelos peixes, como muitas vezes acontece, as palhinhas "entram na cadeia alimentar".

Straw Patrol em Portugal

Carla Lourenço, bióloga marinha, é a mentora do Straw Patrol, "um projeto de sensibilização ambiental", que nasceu no Algarve, cujo objetivo é "dar a conhecer a problemática do lixo marinho", com um foco especial nas palhinhas. Isto porque, como explica ao DN, "são plástico descartável, usado durante muito pouco tempo e não estão a ser recicladas". Nasceu na sequência de um vídeo, que se tornou viral, no qual aparecia uma tartaruga com uma palhinha no nariz. "São objetos que afetam a vida dos organismos marinhos".

A nível mundial, diz Carla Lourenço, estão "no top 10 do lixo mais encontrado" nas praias. Por cá, a Straw Patrol diz que se encontram no top 5 do lixo recolhido nas ações nas praias. "As palhinhas e os invólucros". Além dessas ações de proteção, os voluntários procuram educar - sensibilizando os estudantes nas escolas - e levar as pessoas a reduzir a utilização de plástico, em particular destes objetos.

Devem banir-se os sacos?

De acordo com os dados divulgados no ano passado, a introdução da taxa sobre os sacos plásticos em Portugal levou a uma diminuição de 95% no seu consumo e rendeu 1.5 milhões de euros aos cofres do estado, em vez dos 40 que estavam previstos. João Branco, presidente da Quercus, alerta que continuam a ser bastante usados nas feiras, mercados e nas próprias frutarias e charcutarias dos supermercados. Defende que devem "ser banidos", o que já acontece em alguns locais, como Marraquexe, onde foram substituídos por sacos de papel.

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