Qual a função do Banco de Portugal? 55% não fazem ideia

A maioria dos portugueses não está informada sobre organizações nacionais e internacionais, revela um estudo da Deco. E desconfiam delas

Banco de Portugal: 55% dos portugueses não sabem qual a função desta instituição, segundo um estudo da Deco, que revela a ignorância existente acerca de instituições nacionais e internacionais sobre as quais ouvem falar diariamente ou com que têm de lidar diretamente.

"Metade dos inquiridos não sabe se os bancos privados podem pedir dinheiro emprestado ao Banco Mundial e se uma das tarefas desta entidade é supervisionar as agências de rating. Perto de metade (47%) não sabe se a OMS é financiada pela indústria farmacêutica (não é) e 45% desconhecem se o FMI só inclui países do mundo ocidental (não, também inclui nações como a China e a Arábia Saudita)", exemplificam os autores.

A grande maioria dos inquiridos diz-se pouco conhecedora da estrutura, da missão e das atividades das instituições analisadas. Apenas 23% estão informados dos seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e perto de metade não saberia queixar-se de um erro médico.

46% não sabem como fazer uma queixa relacionada com o SNS, segundo este estudo que é hoje apresentado em Lisboa num encontro sobre "A qualidade da democracia e a confiança nas instituições". 57% das pessoas julgam que o FMI é uma organização com fins lucrativos. E 39% acreditam que alguns deputados do Parlamento Europeu são nomeados pelo governo do Estado-membro.

Com poucos conhecimentos sobre estas e outras instituições, os portugueses pouco confiam nelas e na sua autonomia, indica o estudo.

Entidades como o FMI, o Banco de Portugal ou o Banco Mundial aparecem mesmo no fim da tabela de confiança dos portugueses, que mostram desconfiar da autonomia destas instituições "em relação a grupos económicos, governos e forças políticas".

"Esta desconfiança é particularmente notória na forma como os portugueses olham para o Banco de Portugal e para o Banco Mundial. As duas entidades bancárias que estão nos últimos lugares do ranking da confiança causam descrença praticamente a todos os níveis: independência, competência para supervisionar o sistema ou capacidade de promover o crescimento económico", refere o documento.

Segundo o estudo da Deco, no topo do ranking da confiança os inquiridos colocaram as forças armadas e a polícia, com uma apreciação que, numa escala de 0 a 10, não vai além dos 5,9. Os inquiridos revelam também níveis mais elevados de confiança na escola pública, na igreja católica, na RTP e nas câmaras municipais.

Confiar pouco é um sentimento que se estende as todas as entidades avaliadas, mesmo as que se podem considerar "teoricamente insuspeitas", como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Metade dos inquiridos não acredita que esta agência das Nações Unidas seja imune a interesses de governos e da indústria farmacêutica", sublinha o estudo.

O estudo teve como base um questionário enviado a uma amostra da população entre os 30 e os 74 anos, proporcional aos residentes de Portugal Continental no que diz respeito ao género, idade e região. Na ponderação dos dados, manteve-se a proporcionalidade para estas variáveis e para o nível educacional. Foram recebidas 1.598 respostas válidas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

Compreender Marques Mendes

Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.