Praga de ratos nas Docas preocupa donos de bares e restaurantes

Roedores trepam paredes da marina e vêm às esplanadas procurar comida. Porto de Lisboa pôs caixas de engodo nas traseiras de restaurantes para evitar que entrem nas cozinhas

Circula na internet uma declaração do major Álvaro Campeão da Escola Prática de Infantaria de Mafra, na qual o militar pretendeu mitigar o mito das ratazanas no Convento de Mafra. De vez em quando, assegura, lá aparece um ou outro, mas sem a dimensão de praga. Passeando pelas Docas de Lisboa, finaliza o militar "vê-se mais". Mais um mito ou realidade? "É verdade, à noite eles sobem pela muralha que separa a doca da zona dos restaurantes à procura de comida", confirma um funcionário do Café da Ponte, enquanto prepara as mesas para o jantar.

Um passeio pelas Docas numa noite ainda quente de outono comprova-o. À medida que os restaurantes vão esvaziando, os ratos aparecem e vão-se aproximando dos estabelecimentos à procura de pequenos pedaços de comida caídos no chão. Mesmo com dezenas de pessoas por ali, a caminhos dos bares. "Já aconteceu em pleno serviço um funcionário ver um a passear por debaixo do deck " onde assentam as esplanadas. "Valeu a atenção e a discrição dele para evitar um incidente", conta um funcionário do Doca Peixe.

De acordo com os relatos recolhidos pelo DN, o problema está nos esgotos instalados na própria Doca de de Santo Amaro, que são um autêntico viveiro para os ratos. "Há muito que o Porto de Lisboa está a par da situação. De vez em quando aparece por aqui uma empresa, faz a desratização, mas eles voltam a aparecer."

Também um funcionário do Havana admite a presença dos roedores, contando até que isso já levou alguns proprietários dos espaços a instalar caixas de engodo por baixo dos decks das respetivas esplanadas, já que é aí que as ratazanas vão à procura de pedaços de comida.

Trata-se de um problema de saúde pública? Uma fonte da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) garante ao DN que todos os restaurantes estão devidamente fiscalizados e têm planos de combate às pragas. "O problema", diz a entidade, "é que um desses ratos pode esconder-se dentro de um restaurante e se for encontrado numa fiscalização o espaço terá de ser temporariamente encerrado".

Mas se o aumento de ratazanas nas Docas parece não alarmar a ASAE, a preocupação é óbvia entre os membros da Associação dos Concessionários das Docas de Santo Amaro. Em declarações ao DN, o presidente da associação adiantou ter comunicado "recentemente" o problemas dos ratos à Administração do Porto de Lisboa, entidade responsável pela manutenção do espaço da marina.

"Não é um problema novo, mas há picos", admite Frederico Collares Pereira. "Depois de ter recebido muitas queixas dos meus colegas, expus o problema ao Porto de Lisboa." E a entidade, explica o mesmo responsável, colocou caixas de engodo nas traseiras dos restaurantes, procurando assim que os roedores não invadam as cozinhas.

Segundo os testemunhos recolhidos pelo DN, o remédio pouco resolveu. "Acontece sobretudo ao início da madrugada, quando já há menos gente a circular e os restaurantes e bares se preparam para fechar." Em noites de mais calor, não é difícil vê-los por ali - uma cliente diz que chegou a ver três, em meia hora, a menos de dois metros da esplanada onde estava.

Aparentemente, não é caso exclusivo das Docas. "Na zona do Chiado, onde tenho um restaurante, também há este problema", diz o responsável. "Ainda há pouco tempo os funcionários me contaram que há muitos ratos a sair dos esgotos e já alertei a Câmara Municipal de Lisboa."

Durante a semana, o DN procurou em diversas ocasiões ter um esclarecimento da Administração do Porto de Lisboa, quer através de telefone quer por email, mas não obteve resposta.

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