Portuguesa criou parque de diversões para refugiados

O projeto de Vera Morgado, aluna da Universidade do Porto, vai ser implementado em agosto no Mardin Refugee Camp, na Turquia

Um projeto para instalação de um parque de diversões num campo de refugiados na Turquia, criado por uma estudante da Universidade do Porto, venceu a primeira edição de um concurso que desafiou alunos portugueses na área do empreendedorismo social.

A autora do "Playground Love", Vera Morgado, estudante do Mestrado de Finanças e Fiscalidade da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), foi a vencedora do concurso IMPACTO, promovido pela Gap Year Portugal. O projeto, idealizado com a ajuda de duas pessoas das suas relações, vai ser implementado em agosto no Mardin Refugee Camp, no leste da Turquia, a 20 quilómetros da fronteira com a Síria.

De acordo com a autora, a escolha deste campo de refugiados para a construção do parque deveu-se à existência de uma escola de circo local, a associação Art Anywhere (Refugee Kids Are Circus Heroes), parceira neste projeto. Vera Morgado encara esta iniciativa como um projeto-piloto, afirmando que se há possibilidade de "juntar esforços e ir daqui à Turquia construir o parque, então a nível internacional, e à escala nacional, regional e local, tudo tem de ser possível", sendo este outros dos motivos que justificam a sua escolha.

De acordo com a estudante, o "Playground Love" tem como inspiração os "Unfairy Tales" ("Contos que não são de fadas"), três filmes de animação produzidos pela Unicef, baseados em histórias reais de crianças refugiadas, tendo como protagonistas Ivine, Malak e Mustafa. "Quando os vi, relembrei os meus sonhos de infância", que passavam por ser operadora de caixa de supermercado, ter uma creche na empresa do pai ("como nunca o via, foi a solução que encontrei para que ele e os colegas pudessem ver os filhos"), e ser cantora nos tempos livres, disse à Lusa a estudante.

A cada um dos contos corresponde um brinquedo na zona exterior - composta por um baloiço, um balancé e míni-campo de futebol - e uma zona interior - "fairy tales", "underconstruction" e "big ones". A "fairy tales" é constituída por almofadas gigantes, colchões e fantoches, sendo uma zona para ler e descansar, a "underconstruction" por puzzles, legos e exposições de projetos, enquanto a "big ones" vai ter mesas, brinquedos didáticos, livros de colorir e um quadro de ardósia, por exemplo. Para além disso, vai ser construído um mural, "uma obra sempre inacabada", no qual as crianças podem colocar desejos, mensagens, sonhos e inspirações.

O projeto, que tem um orçamento de seis mil euros, angariou um prémio de 4.900 euros no impACTO, de um total de 10.400 euros proporcionado aos três vencedores do concurso. O valor em falta vai ser obtido através da venda de dois mil lápis de três cores, correspondentes a cada "Unfairy Tale", que podem ser adquiridos em vários locais no Porto e em Braga. Se conseguir vender todos os lápis, fabricados pela Enterprom, em Almada, é possível a Vera Morgado levar aquecedores para a escola local, material circense e mais brinquedos.

A missão do Playground Love é que "as crianças possam ser crianças, que cada uma delas possa brincar, pois se puder brincar será feliz, e se for feliz sonhará sem limites", afirmou.

A estudante fez voluntariado no Movimento Teresiano de Apostolado (MTA), na Tuna Feminina de Economia do Porto (TFEP), na Refood e na criação de negócios e recuperação de empresas.

Em breve, vai participar num programa de conservação marinha, no Cambodja.

O "Playground Love" foi um dos três projetos distinguidos na primeira edição do impACTO, cuja final foi a 24 de junho, em Lisboa, que abrangeu mais de 20 estabelecimentos do Ensino Superior.

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