Portugal testa sistema para avaliar nutrição de 2 milhões de idosos

Sistema de informação lança alerta quando deteta risco de malnutrição. Objetivo é reduzir risco de doença

A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa testou uma ferramenta informática que permite detetar os idosos que estão em risco de malnutrição, de forma a serem encaminhados para consultas especializadas para que se possa perceber quais os motivos para essa situação e assim tentar evitar uma situação grave de doença. O objetivo é que esta ferramenta possa ser usada nos centros de saúde e nos lares. Ao mesmo tempo o estudo faz o retrato nutricional dos idosos.

O estudo PEN-3S: Estado nutricional dos idosos portugueses, que junta investigadores de várias áreas profissionais e de faculdades nacionais e estrangeiras, foi financiado pelo programa EEA Grants, que resulta do memorando de entendimento celebrado entre Portugal e a Islândia, Liechtenstein e Noruega (países financiadores). Os dados preliminares são apresentados hoje em Lisboa, com base numa amostra de 2000 idosos (pessoas com e mais de 65 anos), cerca de metade a residir em lares e as restantes em casa, representativa da população idosa em Portugal.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2015, viviam em Portugal 2,1 milhões de idosos. O estudo refere que em 2014 20% da população tinha mais de 65 anos, tornando o país o quarto da União Europeia com mais idosos. No enquadramento do trabalho, os investigadores citam estudos estrangeiros que mostram que a malnutrição é um problema comum entre os idosos e com consequências como redução da qualidade de vida e problemas de saúde.

Estudos internacionais apontam para que 4,2% dos idosos que vivem em casa estão desnutridos e 27% em risco de desnutrição. No lares a percentagem aumenta para 21% desnutridos e 52% em risco. Com o aumento do envelhecimento, aumenta o risco de problemas associados à alimentação. Foi por isso que o grupo traçou dois objetivos com esta investigação: o primeiro ter um retrato da realidade nacional; o segundo testar um sistema informático, a ser usado nos lares e centros de saúde, que perante vários indicadores permite perceber se o idoso está desnutrido ou em risco de ficar e gerar um alerta para que seja encaminhado para uma consulta mais especializada.

Até ao momento existem dados preliminares da avaliação feita aos idosos a residir em lares nacionais: 5,5% estava em situação de desnutrição e 39% em risco de desnutrição. E 28% eram obesos. Quanto ao grau de dependência, 83% eram dependentes e perto de 12% estavam com depressão grave.

Osvaldo Santos, psicólogo e um dos investigadores, explicou a importância do sistema informático que testaram: "A lógica é colocar a malnutrição como um indicador relevante de saúde e de acompanhamento nos cuidados de saúde primários e lares quando é feita a avaliação regular dos idosos. O sistema usa um conjunto de três indicadores para fazer a triagem e sete para confirmar os casos e dispara um sinal de alerta para encaminhamento de forma a que se faça uma melhor avaliação nutricional. Pode estar em causa um problema de saúde ou um problema social. O sistema parece funcionar bem e o objetivo é que possa ser integrado nos programas informáticos do sistema de saúde e seja uma prática rotineira".

A importância deve-se ao facto de a malnutrição "poder ser um marcador de doença ou uma das expressões de doença". O estudo vai ainda analisar as variáveis que podem pesar na malnutrição, como a depressão, e os efeitos que pode ter como maior risco de limitação na capacidade cognitiva. Sobre os estudos internacionais mostrarem mais desnutrição nos lares do que nos idosos a viver em casa, Osvaldo Santos explica que se deve facto de a população a viver em lares ser mais velha, com mais dependência e mais doente.

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