Portugal pede extradição de fugitivo e Caxias reforça segurança

Dupla nacionalidade do fugitivo é um obstáculo à sua extradição de Israel. Cadeia vai ter rede exterior nova e mais videovigilância

Quase cinco meses depois da fuga de três presos de Caxias, a Procuradoria-Geral da República confirmou ao DN que foi emitido um pedido de extradição para Israel em nome do único dos três fugitivos que falta recapturar, o luso-israelita Joaquim Bitton Matos, acusado de crimes como roubos, extorsão e branqueamento de capi-tais. Mas prevê-se um processo moroso: Israel não tem acordo de extradição com Portugal e o evadido tem dupla nacionalidade. Entretanto, Joaquim Matos tem aproveitado para provocar as autoridades portuguesas na sua página de Facebook, na qual adotou o nome de "Jeki Matos", exibindo-se numa piscina e ao mesmo tempo que envia "saudações aos bananas da PJ".

Em cinco meses, o inquérito-crime à fuga, a investigação da PJ e o processo disciplinar à evasão dos três presos de Caxias ainda não estão concluídos.

Já há novidades sobre as medidas acrescidas de segurança prometidas na altura, garantiram ao DN os serviços prisionais. "Foi feita a desmatação na zona envolvente ao Estabelecimento Prisional de Caxias, vai-se iniciar (previsivelmente na próxima semana) a obra de instalação de rede envolvente ao estabelecimento para reforçar a já existente", respondeu a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP). Sobre o prometido reforço da videovigilância naquela prisão, já há resposta. "Desenvolveram-se trabalhos para se proceder à instalação de um sistema adequado de câmaras (CCTV) que cubra integralmente os redutos Norte e Sul do Estabelecimento Prisional de Caxias, à semelhança do que já foi feito no Estabelecimento Prisional de Coimbra", esclareceu a DGRSP.

Os inquéritos ao que se passou no dia 19 de fevereiro, visando apurar a responsabilidade disciplinar e penal de guardas prisionais eventualmente envolvidos na fuga estão a decorrer em simultâneo. "O Serviço de Auditoria e Inspeção tem a correr, nos termos da lei geral dos trabalhadores em funções públicas, um processo de inquérito. As investigações têm estado a correr em colaboração com a Polícia Judiciária que tem a competência da investigação crimi-nal. Nesta medida, optou-se por acompanhar as diligências que aí estão a ser efetuadas, a fim de evitar a sua duplicação e também para evitar a possibilidade de se danificarem provas", adiantou a Direção-Geral, acrescentando que está a aguardar os desenvolvimentos do processo criminal. É a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ que está a investigar a fuga. Segundo fonte judicial, se Israel recusar a extradição, há ainda a modalidade da transmissão do processo penal para Telavive.

Ainda não é o recordista

Joaquim Bitton Matos, o recluso 348 da cadeia de Caxias que estará em Israel em casa de família, ainda não é o recordista do preso em fuga há mais tempo em Portugal. Com base numa pesquisa feita a ocorrências nos últimos cinco anos, os Serviços Prisionais encontraram, em 2013, a situação de um recluso evadido que foi recapturado sete meses após a fuga e, em 2016, um outro que esteve evadido cinco meses, "ou seja, tanto tempo quanto aquele que se aproxima de estar ilegitimamente ausente um dos reclusos evadidos" de Caxias.

Este ano houve cinco evasões com oito reclusos envolvidos, estando apenas por recapturar um dos evadidos do Estabelecimento Prisional de Caxias, concluiu a DGRSP. O último post de "Jeki Matos" no Facebook é datado de 2 de julho, onde surge apenas o número 8, sem qualquer explicação. A imagem provoca uma série de comentários elogiosos e há até um que pergunta se foi ele quem roubou "as granadas" de Tancos.

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