Placard já deu 33 milhões. E é o terceiro jogo em Portugal

É a mais recente coqueluche da Santa Casa da Misericórdia

Fanático do desporto, entre os 25 e os 55 anos (com maior presença da faixa etária mais jovem), homem e a viver em Lisboa, Porto ou Braga. Este é o retrato dos apostadores na mais recente coqueluche da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML): o Placard.

Em três meses este jogo tornou-se o terceiro mais vendido entre a oferta do departamento de jogos da SCML, num top liderado pela Raspadinha (710 milhões de euros de vendas brutas em 2014) e com o Euromilhões a surgir no segundo lugar (917 milhões de vendas brutas no ano passado, mas neste ano os dados conhecidos apontam para que seja ultrapassado pela Raspadinha).

Segundo os dados da SCML a que o DN teve acesso, entre 9 de setembro e 9 de dezembro o Placard registou um total de 400 mil apostadores, tendo pago 33 milhões de euros em prémios.

Um sucesso, de acordo com a entidade que gere os jogos sociais em Portugal, que poderá estar a ter um impacto negativo no Totobola, como adiantou ao DN Carla André, da Agência de Jornais e Revistas de Santarém. "O Totobola morreu completamente com o aparecimento do Placard", conta. São sobretudo os homens que jogam, "mas também há duas ou três meninas que apostam". No entanto, fonte do departamento de jogos, em declarações à Lusa, garantiu que essa queda não se confirma. Pelo contrário, garante que existe uma estimativa que aponta para uma subida de 7% nas vendas anuais do Totobola, o que inverte a queda dos últimos anos. Segundo o relatório do departamento de jogos da Santa Casa, em 2012 este jogo teve uma venda bruta de 12,1 milhões de euros, em 2013, 10,5 e no ano passado baixou para os 10,2 milhões.

Jogar de um euro a cem

Certo é que este jogo está a conquistar os apostadores. Na maioria são jovens que já faziam apostas online (proibidas em Portugal) e por isso estão habituados ao sistema de apostas que junta possibilidades como uma simples aposta ou uma combinação de resultados - a mais escolhida - ou jogos.

O apostador, que na primeira vez em que jogar tem de dar o seu número de contribuinte que ficará registado, pode escolher entre jogos de futebol, de basquetebol ou ténis. Com as apostas a variarem entre um e cem euros. Depois o prémio é atribuído de acordo com a cota que for estabelecida. Esta é um número igual ou superior a um euro e traduz a probabilidade de acontecer um determinado resultado. Quanto maior for a cota mais elevado será o ganho possível da aposta.

É, assim, à procura de um resultado que garanta um prémio que os apostadores analisam as possibilidades dos vários jogos.

No balcão da tabacaria e papelaria Sacatrecos, encontramos Vera André. Aqui fazem-se filas para a Raspadinha, mas o Placard também já tem o seu espaço. "Andará muito próximo do Euromilhões em termos de apostas", sublinha. A maioria dos jogadores investe até cinco euros, mas há quem chegue aos 30. Aqui, o prémio máximo já atribuído foi de 200 euros. E são os jovens quem mais joga. "Muitas pessoas já faziam apostas online. E, embora seja um jogo complexo, dá para fazer simulações na internet e perceber a dinâmica", afirma Vera.

Na mesa onde se preenchem os boletins, junto à porta, Francisco Carvalho, 17 anos, analisa os jogos nos quais é possível apostar. É ele quem dá os palpites, mas é o padrasto que faz as apostas. "Começámos há duas semanas, mas nunca ganhámos nada." Diz que o jogo "é viciante", porque "as pessoas acham que podem ganhar muito, mas, na verdade, não ganham assim tanto". Pressionado pelos amigos, desiste de jogar. "Penso nisso mais logo."

Nos dados fornecidos ao DN, o departamento de jogos da SCML adianta que o desafio com maior número de apostas registadas nos primeiros três meses do jogo foi o que opôs os alemães do Bayer Leverkusen aos espanhóis do Barcelona, enquanto em Portugal foi o Sporting de Braga-Benfica.

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